Éramos como dois satélites errantes
Soltos num espaço incompreensível
Até o dia em que as palavras traçaram uma única rota
E por alguns instantes estivemos na mesma órbita
Presos em uma espécie de delírio mágico
Ignorávamos toda a vastidão do universo ao redor
Porque nosso calor e claridade bastavam
Então um dia
Como não poderia deixar de ser
Você vislumbrou outras constelações e galáxias
E tudo mais que brilhava além
Do pequeno mundo no qual girávamos
E eu não entendi
Eu te feri
Eu quis te puxar de volta
Fingindo uma luminosidade que não existia
Que não se compararia às que você via
Então
Passado muito tempo
Ofereci uma última prova de amor
Que foi finalmente te libertar
Para que alcançasse outra vez
Toda aquela bela imensidão
Agora eu também observo o universo infinito
Embora ainda preso à minha pequena órbita
E sei que você está lá
Viajando por entre luzes e escuridões
Sendo tudo o que
Junto a mim jamais poderia ser.

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