6 de set. de 2026

Toda aquela bela imensidão

Éramos como dois satélites errantes 

Soltos num espaço incompreensível 

Até o dia em que as palavras traçaram uma única rota

E por alguns instantes estivemos na mesma órbita 

Presos em uma espécie de delírio mágico 

Ignorávamos toda a vastidão do universo ao redor

Porque nosso calor e claridade bastavam

Então um dia

Como não poderia deixar de ser

Você vislumbrou outras constelações e galáxias 

E tudo mais que brilhava além 

Do pequeno mundo no qual girávamos 

E eu não entendi 

Eu te feri

Eu quis te puxar de volta 

Fingindo uma luminosidade que não existia 

Que não se compararia às que você via

Então

Passado muito tempo

Ofereci uma última prova de amor 

Que foi finalmente te libertar 

Para que alcançasse outra vez 

Toda aquela bela imensidão 

Agora eu também observo o universo infinito 

Embora ainda preso à minha pequena órbita 

E sei que você está lá 

Viajando por entre luzes e escuridões 

Sendo tudo o que 

Junto a mim jamais poderia ser. 


 

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