7 de set. de 2026

Impossível




Não é possível fingir não ouvir o que ainda murmura tão alto o coração 

As repetitivas

Tristes 

E bonitas canções que canta 

Não é possível conter a sutil claridade que dele às vezes escapa em forma de palavra

Não é possível ignorar o calor que ele tenta produzir para germinar as sementes esquecidas sob o solo da alma


Mas pedaços demais dele foram perdidos a cada tentativa de encontrar um lar

Esperanças demais foram queimadas para iluminar a noite escura 

Em que se buscava um sonho inalcançável 


O passar dos anos parece ter tornado todos os caminhos mais perigosos 

E nenhum deslumbrante delírio permaneceu tempo suficiente 

Para que 

No fim

Não se voltasse ferido à mesma velha cama fria

Para que não se despertasse na manhã seguinte 

Sóbrio 

E sozinho.


De "Sóbrio Delírio" (em breve)


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