Não é possível fingir não ouvir o que ainda murmura tão alto o coração
As repetitivas
Tristes
E bonitas canções que canta
Não é possível conter a sutil claridade que dele às vezes escapa em forma de palavra
Não é possível ignorar o calor que ele tenta produzir para germinar as sementes esquecidas sob o solo da alma
Mas pedaços demais dele foram perdidos a cada tentativa de encontrar um lar
Esperanças demais foram queimadas para iluminar a noite escura
Em que se buscava um sonho inalcançável
O passar dos anos parece ter tornado todos os caminhos mais perigosos
E nenhum deslumbrante delírio permaneceu tempo suficiente
Para que
No fim
Não se voltasse ferido à mesma velha cama fria
Para que não se despertasse na manhã seguinte
Sóbrio
E sozinho.
De "Sóbrio Delírio" (em breve)

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