Via-se em uma pequena batalha
Para conciliar nas mesmas linhas
Decepções e deslumbres
Porque perdidas no sufoco dos dias
As horas que escorriam lentamente dos ponteiros
Desnudavam amargores e faces sarcásticas
Mas também pequenas e preciosas belezas ocultas
E era isso que eu tinha para sentir o milagre da vida
Esse ranger incessante de uma engrenagem estúpida que nada produz
Mas também um homem pegando pitangas de uma árvore na calçada após um dia duro de trabalho
Palavras aveludadas ocultando espinhos venosos
Mas também o perfume do manacá se esparramando pelo jardim enquanto escurecia
Vozes afiadas e estridentes penetrando peito adentro
Mas também um disco novo com canções que curam
Então no meio desse caminho
Eu parei por alguns versos bonitos que já não me recordo
Eu parei para ver os últimos clarões do sol se pondo
Eu parei para não pensar no paradoxo displicente que é a vida
Eu parei
Respirei fundo
E voltei a seguir.
De "Sóbrio Delírio" (disponível em 12 10 26)








