Eu já acreditei em milagres.
Mas então a vida segue, os anos passam, nosso coração e espírito são feridos e passamos, sem perceber, a apenas sobreviver.
Tentando não pensar, tentando não entender, tentando não sentir.
Porque olhamos ao redor e vemos um horror que palavras não podem descrever. E como não temer que esse horror chegue até nós? Como não sofrer pelos que vivem esse horror?
Eu já acreditei em milagres.
Mas assim como todos, eu achava que milagres eram coisas impossíveis se tornando reais, como que por mágica.
Até entender que, na verdade, tudo é um milagre, quando se observa com amor.
Há uma espécie de orquídea que floresce sempre no início da primavera.
Seus pendões formam uma cascata de flores muito delicadas. Passada a floração, pequenos brotos nascem desses pendões, e, se bem cuidados, no ano seguinte ou no próximo, eles, já enraizados, darão flores também.
Mas nesse ano, como se a natureza quisesse me lembrar desses milagres de que tanto sinto falta, dos minúsculos brotos saíram botões que desabrocham agora pelo fim de outubro. As flores são até maiores que os pequenos ramos de onde nascem.
E é assim que eu sei que Deus está falando comigo.
Numa linguagem que Ele sabe que eu vou entender.
E eu volto a acreditar em milagres.
Porque sinto que o mesmo Deus que possibilita esse minúsculo prodígio da natureza, é o Deus que agora move um exército pelo bem e pela verdade;
Porque sinto que o mesmo Deus que arquitetou o universo, conhece-me pelo meu nome.