Eu não tinha boas palavras para descrever com exatidão o primeiro céu de outubro
Setembro passou de forma rude e mal vi a floração dos ipês
Mas ventava de forma estranha nessa manhã
De forma lenta
Como se o vento quisesse colher as flores cor de carmim das árvores que não sei o nome
E fazê-las bailar no ar perfumado pelos eucaliptos molhados pela garoa da madrugada
E eu apenas agradeço
Não pensando na falta que coisas tão valiosas tem deixado aos poucos de fazer
Não pensando no que o futuro
Com todas suas ânsias e ameaças
Reserva
E fecho os olhos e por um mínimo instante
Eu sou também tudo isso que o vento carrega com docilidade
Deito em seus braços e permito uma ou outra lágrima
De medo, de fé, de angústia, de esperança
E me lembro de um conselho:
Não deixe que os bastardos
Te reduzam a cinzas
Um conselho que chegou tarde demais
Quando vento já me carregava
E me esparramava sobre jardins
Que hoje florescem
Humildemente.
De "Sóbrio Delírio" (disponível em 12 10 26)

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