1 de out. de 2026

Primeiro céu de outubro



Eu não tinha boas palavras para descrever com exatidão o primeiro céu de outubro 

Setembro passou de forma rude e mal vi a floração dos ipês 

Mas ventava de forma estranha nessa manhã 

De forma lenta 

Como se o vento quisesse colher as flores cor de carmim das árvores que não sei o nome

E fazê-las bailar no ar perfumado pelos eucaliptos molhados pela garoa da madrugada 

E eu apenas agradeço 

Não pensando na falta que coisas tão valiosas tem deixado aos poucos de fazer

Não pensando no que o futuro 

Com todas suas ânsias e ameaças 

Reserva 

E fecho os olhos e por um mínimo instante 

Eu sou também tudo isso que o vento carrega com docilidade 

Deito em seus braços e permito uma ou outra lágrima 

De medo, de fé, de angústia, de esperança 

E me lembro de um conselho:

Não deixe que os bastardos 

Te reduzam a cinzas

Um conselho que chegou tarde demais 

Quando vento já me carregava 

E me esparramava sobre jardins

Que hoje florescem 

Humildemente.


De "Sóbrio Delírio" (disponível em 12 10 26)

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