23 de ago. de 2026

Ou da próxima, ou da próxima



Eu também me sentia caminhando por um caminho em que já podia ver o fim

Buscava uma nova melodia para inspirar um novo poema 

Que também não seria lido por ninguém

Buscava novas palavras para tentar eternizar fragmentos de inofensivos delírios 

Que sucumbem à realidade rápido demais

Mas até nos sonhos já não se é tão livre 

Já não se tem tanto poder

Outras línguas, vozes estranhas 

Passado e presente dançando a mesma canção 

E eu sempre estou muito longe de casa 

Sozinho 

Sem conseguir a passagem para voltar 

Então a manhã chega cortada por um som estridente e quase cruel 

E por um sol reluzente 

E os sinais me dizem

Que também não será dessa vez 

Ou da próxima 

Ou da próxima 

Que se encontrará o que tanto se deseja 

Procurando nos mesmos velhos escombros.

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