Eu também me sentia caminhando por um caminho em que já podia ver o fim
Buscava uma nova melodia para inspirar um novo poema
Que também não seria lido por ninguém
Buscava novas palavras para tentar eternizar fragmentos de inofensivos delírios
Que sucumbem à realidade rápido demais
Mas até nos sonhos já não se é tão livre
Já não se tem tanto poder
Outras línguas, vozes estranhas
Passado e presente dançando a mesma canção
E eu sempre estou muito longe de casa
Sozinho
Sem conseguir a passagem para voltar
Então a manhã chega cortada por um som estridente e quase cruel
E por um sol reluzente
E os sinais me dizem
Que também não será dessa vez
Ou da próxima
Ou da próxima
Que se encontrará o que tanto se deseja
Procurando nos mesmos velhos escombros.

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