27 de ago. de 2013
Fiel meretriz
A tristeza, uma meretriz tão bonita e perfumada, deita-se em minha cama.
Não preciso convidá-la, não preciso de canções clássicas sobre a dor, ou de um copo cheio de torpor;
As portas estão sempre abertas.
Abertas para todos sentimentos.
Alguns visitam com mais frequência, outros apenas acenam lá da rua, nem param.
Mas a tristeza é uma velha conhecida, ela foi meu primeiro amor.
Há bem quase vinte anos nos encontramos, eu, ela e a vergonha.
Da vergonha não gosto, por isso nem falarei muito dela;
A vergonha pesa desumanamente, e ao contrário da tristeza, que é fria e delicada,
A vergonha queima, impede, dilacera.
A vergonha não é visita, é inquilina sem contrato.
Nunca vai embora, a desgraçada.
Mas a tristeza, essa sempre foi gentil.
Nunca chegou fazendo estardalhaço, falando alto, quebrando os pratos.
A tristeza é uma dama, uma dama sedutora, elegante, cortês.
Quando todos os outros sentimentos partem, ou ao menos se tornam invisíveis nesse quarto,
A tristeza permanece aqui. Fiel.
Com o mesmo vestido vermelho e longo, com a mesma face bem maquiada.
Embora ela deite em outra camas, eu sei que jamais me abandonará.
Seu beijo é amargo, mas ao menos é um gosto a se sentir.
Seu abraço é sutil e gélido, mas ao menos é repleto de sinceridade.
Para ela, e unicamente para ela, fico completamente nu.
Pois ela aceita por completo este eu que aqui dentro vive.
Ela, por mim, paralisa todos os relógios, crenças, expectativas e desesperos.
A tristeza me amansa, a tristeza me acalma...
Eu sinto que a tristeza me ama.
23 de ago. de 2013
Eufemismo
Passando em frente ao velho museu estavam os dizeres: "Desperte o músico que há em você!". Seguido de "Inscrições..." etc.
Tentei filosofar: O que haveria cá dentro para ser despertado?
Mas logo meus olhos se deliciaram com os três ou quatro ipês amarelos repletos de flores nascidos à frente do tal museu, então as filosofias evanesceram, mais uma vez.
Eternas reticências...
Todos os dias, todos os pesadelos, todos os anseios. Reticentes.
Nada é concreto, prático, solucionável, claramente compreensível.
Também existe um pássaro no meu coração que quer sair.
Não sei se ele é azul como o de Charles, porque dentro tudo é tão confuso e escuro que não sou capaz de enxergá-lo.
Mas ele está ali, pois em certos dias, em certas horas desses dias, eu ouço seu canto.
Um canto tão leve que por vezes vai fazendo lágrimas suaves brotarem lentamente dos olhos.
Um canto tão pesado que segura estes mesmos olhos abertos e secos, madrugadas insones adentro.
Talvez esse pássaro tenha se aninhado em mim para dar sentido a esta vidinha medíocre e sem profundidade. Talvez ele direcione meus sentidos para os autorretratos que Deus deixou espalhados por aí. E isso é tão bonito de sentir.
Porém, talvez, esse pássaro seja um inimigo cruel, que já consciente do fato de eu não ser nada além de um jaula feia e enferrujada, adentrou assim mesmo para fazer-me sentir culpa da sua falta de liberdade.
Quem é você, pássaro?
Que quer de mim, realmente?
imagem: internet
13 de ago. de 2013
O perfume do meu reino
Se fizer silêncio, já está bom.
Se não houver barulhos nas madrugadas; se os homens, mulheres e crianças não gritarem; se os cachorros não latirem muito e os gatos não brigarem em cima dos muros, já está bom.
Porque a gente cresce e o coração vai diminuindo de tamanho, consequentemente nossas necessidades e exigências também, consequentemente nosso brilho no olhar também.
Antes, a gente exige, depois a gente quer, depois a gente espera, depois a gente não espera mais, só sente falta, no final, nem falta a gente sente. É até bom, se isso não nos tornasse pedras, porque a dor vai diminuindo com o tempo, com a claridade.
Mas preciso dizer, que num dia desses, voltando pelas ruas repletas de ipês que já começam a dar boas vindas ao inverno com sua flores rosadas, eu senti aquele perfume.
Sim!
Aquele perfume de que nunca falei, de que ninguém sabe, de que ninguém sente.
Era o cheiro do Meu Reino.
Meu Reino que já não me recordo mais como era, pois deve ter morrido junto da infância, mas era o cheiro dele, eu sei que era.
Meu Reino repleto de flores e heróis e levezas. Meu Reino onde minhas lutas eram dignas e felizes, onde os sorrisos e as almas eram de uma profundidade que não sei expressar.
O que posso dizer é que esse Reino é bem diferente de tudo aqui. Lá, eu mesmo sou outro. Lá sou puro, intenso, livre, feliz. Lá sou príncipe. Mas não como os príncipes daqui, que reinam sobre os outros, lá sou príncipe sobre mim mesmo. Minhas atitudes são nobres, meus sonhos são nobres, meus desejos são nobres.
Mas o perfume não durou tanto para que eu me recorde de mais coisas, passou rápido como sempre.
Nem me recordo qual foi a vez antes desta que o senti. Sei que foi há tanto... Por isso temo e sofro em dizer: cada vez mais raro será, cada vez mais ralo, escasso.
Eu não queria isso.
Eu não queria esse mundo e as necessidades que ele me obriga a ter, as genuinamente minhas são tão mais significativas, tão mais profundas.
E meus heróis? Não há um cuja face permaneça intacta em minha mente. Não há um cuja espada ainda reflita luz nos meus olhos.
Sinto saudades.
Sinto saudades...
De "Nuvens de Janeiro"
5 de ago. de 2013
Bons sonhos
Meus demônios disseram-me que quando não se luta por nada se é vencido por tudo.
Odeio quando meus demônios sabem mais de mim do que eu mesmo.
Já não são suficientes doces sonhos, ou as flores perecíveis dos ipês ao sobreviverem ao inverno.
Já não são suficientes as folhas arfando e crepitando abaixo dos meus passos lentos enquanto observo uma cidade morna, morta e pegajosa pelas janelas cansadas da alma.
"Escolha um desses caminhos:" Dizem-me os demônios.
E nem um deles me serve, nenhum deles faz sentido para mim.
"Todos escolhem um desses caminhos." Insistem os demônios.
E eu apenas observo, caminhando lentamente de costas, sentindo todas as ultrapassagens, sentindo todos os adeuses.
Deram-nos todo o poder do mundo. Asas e controle sobre os elementos...
Mas não deixaram a chave da jaula. A chave proibida.
Eu não sinto medo.
Eu continuarei retirando uma a uma as pragas das flores, mesmo das que morrem rápido, mesmo das que jamais serão perfumadas.
Não escolherei mais nenhum culpado por meus afogamentos.
Ninguém criou meu oceano negro e infinito além de mim, ninguém me salvará das águas dele além de mim.
Quem sou eu para discordar de um sistema tão impecavelmente falho e aceito?
Quem sou eu para dizer que todos morrem por guerras eternas e sem valor?
Quem sou eu para falar da estupidez humana?
Todos também são vazios.
Todos também querem o amor verdadeiro.
Todos estão perdidos.
Todos sabem de todas as coisas.
Todos estão bem assim.
Mas já é tarde.
Volte a dormir agora.
Foi só mais um pesadelo, com a diferença de não estar dormindo desta vez.
Bons sonhos.
Ao vento
As palavras;
tão leves as minhas palavras;
foram todas varridas pelo vento.
E embora ontem eu tenha visto Deus acenando das nuvens e hoje eu o tenha visto sorrir no luar e nas estrelas,
E embora eu tenha chorado diante da certeza de estar sendo ouvido,
Meu coração insiste em não saber se continua ou se para.
Eu amo esse lugar, essas coisas, essas sensações?
Ou apenas sou fraco demais para descosturar e libertar as asas que ainda sinto ter atadas às costas?
Talvez eu queira ser um ajudante na salvação do mundo,
Talvez eu só queira que o café esteja na mesa amanhã de manhã.
Serei sempre esse ensaio?
O egoísta que só não fere por saber que ferir é o que mais lhe dói?
O covarde que só não muda por preferir os medos conhecidos?
Às vezes me sinto tão grande que dói me carregar.
Às vezes me sinto tão ínfimo que um sopro espalha-me como farelos.
De "Nuvens de Janeiro"
27 de jul. de 2013
De volta
Que saudade dos belos poemas... aqueles que passavam flutuando, tão leves, pela janela... como nuvens de janeiro.
Os chamo de poemas, mas bem sei que não o eram. Nunca foram.
Eram meus próprios fragmentos desprendidos e carregados pelo vento.
Agora abro a janela e tão pouca coisa passa por lá, e eu vou sentindo essa falta tão grande de mim.
Falta daquele eu iludido com as claridades efêmeras e passageiras do crepúsculo, mas um eu persistente na fé de coisas verdadeiras, de coisas intensas.
Comecei um novo jardim. Preciso que as flores me ensinem novamente sobre a paciência de aguardar as primaveras.
O jardim é humilde, sem nenhuma suntuosidade ou promessa de glória, tal e qual o jardineiro que o cultiva.
Mas quando eu abro a porta do fundo nas manhãs frias de julho e vejo um mísero broto lutando para crescer embora as dificuldades do clima, eu sinto uma esperança tão morna e macia abraçando meu peito gélido e magro.
Eu vejo a vida lutando... lenta, meiga, pacífica; persistindo.
Esses milagres tão delicados vão me salvando... vão me bastando.
Vejo Deus nessas tentativas; tentativas tão delicadas e pequenas quanto as minhas.
Um botão que desabrocha preguiçosamente me faz recordar do amor que eu sentia antes de amar,
Um sentimento unilateral, quente e intenso... belo e transitório como as florações.
Estou de volta ao jardim. Eu, Deus e os pássaros.
Estou indo de volta a mim, em busca das cores e perfumes que ainda podem existir aqui.
15 de jul. de 2013
Sopro
Eu nunca o levarei a um campo de lavandas, meu amor.
Sinto tanto...
É tão pouco o que sou.
Mas enquanto eu olhava para os olhos de Deus e ouvia as vozes de Deus,
tão belas, mesmo as desafinadas,
eu olhava ao lado;
olhava o banco vazio ao meu lado;
e imaginava você ali.
Naqueles momentos em que o sagrado se exibia para mim através da carne bruta dos homens, eu desejei segurar suas mãos.
Desejei acariciar seus dedos sem olhar em seus olhos.
Desejei colocar você no barco que se tornara meu coração e velejar contigo pelo lago que minhas lágrimas leves alimentavam.
Mas você não estava ali.
Um suave sopro daqueles velhos dias entrava pelas grandes janelas de cortinas amareladas.
Eu quis que você sentisse novamente meus paraísos,
Mas as palavras estão todas tão cansadas, preguiçosas...
E o que sou além de palavras, meu amor?
Diga-me quando souber.
10 de jul. de 2013
Cotidianos
É comum olhar para dentro e ver esse campo imenso,
Onde o vento quase forte deita a relva e faz cócegas nas flores.
É um momento sem dores, necessidades ou explicações.
É provável que o tempo vire;
Uma tempestade inconsequente sempre pode desabar incontrolável.
Ou não...
Ou apenas poucas nuvens,
finas como o véu branco das noivas felizes,
aplaquem a inclemência do sol.
Às vezes é bom que nada importante esteja acontecendo.
É bom ouvir os outros garotos falando de futebol,
Ou as garotas falando dessa ou daquela forma de se embelezar.
São santos momentos inúteis, leves, inofensivos, calmos,
Diante de tanta demagogia, tanta indelicadeza, tanta aridez,
Da qual é constituída a realidade.
Às vezes, em raros momentos perdidos e suprimidos
Entre cotidianos fúteis, eu me sinto quase do mesmo
Tamanho dos meus sonhos.
E os monstros,
inchados de tanta arrogância...
Não me assustam nem um pouco.
24 de jun. de 2013
Reflexo
A beleza deixou de fazer falta e se tornou uma amiga
quando descobri que ela está em tudo.
Nos contrários e nos corretos,
Naquelas tardes de domingo de vento frio e rua vazia;
só passarinhos na árvore.
O medo deixou de ser cruel quando descobri que ele também sente medo,
sente medo que as pessoas o sintam.
A dúvida deixou de ferir quando as certezas foram todas embora,
a dúvida também é serena,
a dúvida não quer luta.
A saudade provou conter em si o tanto necessário de amor para dar condições à vida.
E num reflexo,
onde tudo era difuso e incoerente,
eu enfim sentia algum tipo de paz
e sorria.
22 de jun. de 2013
Todo dia é um adeus
Outra partícula morreu; coisa pouca, nem doeu tanto.
Morreu séria, sem dramas, sem lágrimas. Apenas morreu.
Outro "E se..." que se foi.
Foi-se ao vento frio do inverno que vem chegando.
São ilusões que já nem germinam mais.
As palavras foram as primeiras a partir.
A mente continuava com seus encontros de tornados e terremotos,
mas a palavras se recusavam.
Recusaram até morrer...
O coração também se foi.
Nenhum aroma o ressuscita.
E quando ouço seu canto é um canto tão distante, tão triste.
O coração não morreu, porque dói.
A claridade cessou.
É dia de lua cheia, lua próxima, mas há tanta nuvem, meu Deus...
Tanta Nuvem.
A claridade cessou; sonhos e pesadelos andam de mãos dadas, como amigos.
Todo dia é um pequeno adeus, uma pequena despedida,
até a despedida final.
Até a coragem ser grande e forte, até as decisões serem sólidas.
Todo dia é uma pequena morte, até a vida começar de verdade.
Eu não direi novamente tudo o que meus olhos já disseram...
Eu não verei novamente tudo o que meus lábios já viram...
Eu não cantarei novamente tudo o que meus ouvidos cantaram...
Eu não beberei novamente dos mesmos aromas...
O adeus de hoje já foi demais.
15 de jun. de 2013
Inverno novamente
A passos tão lentos, quase uma flutuação, cruzo as trilhas deste jardim.
É inverno... novamente e mais uma vez,
é inverno.
Todas as árvores perderam as folhas e seus galhos, finos e frágeis, são chicoteados por ventanias.
A relva, as flores, os arbustos, tudo secou.
É inverno novamente, é minha sanidade que despertou.
Era uma outra vez...
Apenas são memórias, vagas, poeirentas, aqueles dias em que chovia lentamente.
Chovia diferente.
A chuva que caía era como cura. Limpeza.
Ela paralisava o mundo, deixara as dores, os amores, a pessoas, lentas.
Era uma outra vez aquela... em que eu olhava para o céu, crente em milagres.
Agora, embora a mesma chuva lá fora, são tempos secos.
E os milagres, nenhum.
Nenhum herói
Fiz isso por todos estes anos.
E cá estamos nós: minha sanidade quase finda, e minha esperança grande demais para conseguir mover-se e fazer seu trabalho.
Não me esqueci do amor; esse sentimento tão banalizado, tão cuspido pela boca de todos.
Um sentimento que jamais deveria ter sido nomeado, porque nomes limitam.
Estou lutando contra tudo outra vez.
Estou fardado de flores e espinhos em meu campo de batalha mais uma vez.
E no fundo, o que fui ainda sou.
Quem não quer um herói? Quem não quer asas?
Mas não há magia dentro de mim. Não há nobreza em minha alma.
Eu deveria ter poderes de salvá-lo.
Deveria mostrar alguma gratidão pela generosidade da vida que até hoje não bateu em minha porta para cobrar meus pecados.
Se chegou a hora do adeus, eu o aceito.
Embora nada em mim eu consiga extinguir ou apagar,
Talvez os dias precisem desse silêncio, dessa dor, dessas memórias.
Mais uma vez aceito minha incapacidade.
Aceito perder outra batalha.
Quero apenas me deitar aqui e continuar a ver as estrelas que um dia paramos para admirar juntos.
Elas continuarão lá para sempre.
Talvez tenha sido pretensão demais querer ser seu salvador,
Eu, que nem a mim mesmo salvo.
Estou lhe perdendo para você,
Assim como me perdi para mim.
Estou lutando contra tudo outra vez.
Estou fardado de flores e espinhos em meu campo de batalha mais uma vez.
E no fundo, o que fui ainda sou.
Quem não quer um herói? Quem não quer asas?
Mas não há magia dentro de mim. Não há nobreza em minha alma.
Eu deveria ter poderes de salvá-lo.
Deveria mostrar alguma gratidão pela generosidade da vida que até hoje não bateu em minha porta para cobrar meus pecados.
Se chegou a hora do adeus, eu o aceito.
Embora nada em mim eu consiga extinguir ou apagar,
Talvez os dias precisem desse silêncio, dessa dor, dessas memórias.
Mais uma vez aceito minha incapacidade.
Aceito perder outra batalha.
Quero apenas me deitar aqui e continuar a ver as estrelas que um dia paramos para admirar juntos.
Elas continuarão lá para sempre.
Talvez tenha sido pretensão demais querer ser seu salvador,
Eu, que nem a mim mesmo salvo.
Estou lhe perdendo para você,
Assim como me perdi para mim.
19 de mai. de 2013
Reflorescer
A calmaria antes do temporal é sempre tão bela.
Os pássaros continuam com suas alegrias suaves de domingo,
As flores continuam desabrochando, lentamente, uma a uma, delicadamente perfeitas.
Os gatos se espreguiçam e se esticam no chão cinza de concreto.
Apenas eu sei, apenas eu sinto: tudo está errado.
Tudo está errado aqui dentro, nessa sala escura que chamo de alma.
Acostumei-me tanto a ela...
Tranco portas e janelas, mas ouço os trovões lá fora,
E os relâmpagos escorrem para dentro pelas frestas da minha fraqueza.
As leis de Deus, da Vida, da Física, o que for, permanecem eternas, ininterruptas.
Porém, quem sabe por uma única vez, as tempestades não destruam o que resta.
A terra da vida precisa ser revolvida, o poeta precisa despertar da sua morte opcional.
As poeiras que formam uma casca sobre os sonhos mais doces, precisam ser removidas.
A esperança precisa reflorescer, mais uma vez.
23 de abr. de 2013
Despedida
Não há
mais nada para ser dito.
O que
sei sobre a vida para gastar tantas palavras?
Sempre
estive dentro desse quarto escuro,
vendo a
existência passar como nuvens lentas pela janela.
Sem
perceber, eu fui deixando de te regar até você murchar, poesia minha.
Já não
há mais espaço para suas teorias e boas intenções.
Sei que
sempre esteve gentil ao meu lado,
Mas
estamos enganando um ao outro.
Você de
pouco ou nada mais serve,
E eu
sou um instrumento vago e fraco demais para continuar tentando te forjar.
Estou
cansado, poesia minha.
E não
apenas de te buscar por todos os caminhos e lugares.
Estou
cansado de muita coisa...
Tanta
coisa que nem ouso dizer,
Seria
pecado.
Agradeço
cordialmente por todas as vezes que me salvou.
Tantas
foram as noites e dias em que apenas tive você.
Não chore,
não chore assim que me parte o coração,
poesia
minha!
Não vê
que está chegando o momento de desmoronar meus esconderijos?
A vida,
as pessoas, o tempo, nada é dócil como você,
poesia
minha.
Tudo é
áspero e prático lá fora.
Vê onde
estou?
Com os
olhos que me deu não fui muito longe...
Sim, vi
sim coisas que muitos não viram.
Vi os
milagres brotando nas entrelinhas da vida fria.
Mas
esses milagres tão sutis não saciam mais minha fome constante.
Já não
posso mais continuar sobrevivendo de restos,
poesia
minha.
Você
precisa entender...
Não há
mais onde nós dois possamos chegar.
Não
peço que vá embora.
A casa
é sua, pode ficar.
Eu é
que vou.
Vou
porque não estou feliz,
E
embora eu não saiba se existe algum tipo real de felicidade lá fora, eu preciso
voltar a estar em movimento.
Eu
preciso tentar.
Talvez,
amada poesia minha,
Talvez
se eu encontrar um pouco mais de você nessas minhas andanças,
Talvez
se, ao contrário do que acredito, ainda existir o suficiente de você em mim e
na vida, eu volte sorrindo.
Por ora
é adeus.
Não
suporto mais ver você agonizando diante de mim.
29 de mar. de 2013
Oceano particular
Se eu tivesse seguido os conselhos que dei, a dor não estaria aqui agora.
Se eu tivesse respeitado e permitido que permanecem aqui meus sonhos simples, eu estaria sorrindo agora.
Se eu não tivesse passado tanto tempo preocupado em ser melhor que algo, meus cabelos não estariam caindo agora.
Adiarei mais uma vez a visita ao mar.
Adiarei mais uma vez aquela ligação.
Adiarei mais uma vez o olhar nos olhos.
E eu que sempre precisei, desejei, ansiei estar imobilizado por um abraço...
Agora apenas nado lentamente para cada vez mais longe no meu oceano particular.
E quanto mais silêncio, melhor.
Quase dá medo de não saber mais voltar.
Mas sinto falta dos meus olhos, meus olhos que o sal desta água queimaram.
Sinto falta da minha pele macia e sensível ao toque.
Sinto falta de ouvir meu nome sendo chamado.
Sinto falta de sentir falta.
22 de mar. de 2013
Chiaroscuro
Não sei até que ponto meus heróis merecem todas as glórias por eu ainda ser humano.
Eles me salvaram tantas vezes quanto o sol nasceu ou me aprisionaram na Terra do Nunca?
Não sei até que ponto meus fantasmas merecem toda a culpa por meu fracasso.
Não foram tão cruéis assim, não doeu tanto... foram? doeu?
Sei que parece tarde demais para qualquer certeza,
Mas não desistirei de gritar,
Embora meu grito seja dentro de uma sala de chumbo,
Embora meu grito ninguém jamais possa ouvir.
Porque ainda tenho poder sobre minha voz, grito!
Grito ininterruptamente!
Discordo, choro, perco meus cabelos e a compostura esperada, tomo para mim uma fração de todas as dores.
Porque sou poeta, mesmo que sem talento com as palavras,
Sou poeta com a alma, a alma escondida na cela da carne.
Essa alma que é a decomposição que nutre a terra abaixo das flores.
Essa alma que é filtro segurando a escuridão em si e propagando uma faísca luminosa.
A escuridão vai permanecendo, toda ela, impregnando minha pele, ares e lençóis,
Mas o coração, mesmo que aparente negrume e frieza, continua...
Tum, tum, tum...
Poderoso como um cavalo selvagem e livre, correndo numa praia deserta, infinita.
6 de mar. de 2013
Força da rosa
Não são raros dias como esse.
Quentes por fora, frios por dentro...
Secos por dentro e por fora.
E é tão difícil não sentir grande cansaço,
perante às as horas lentas,
perante os mesmos dias traiçoeiros,
perante às mesmas pessoas sem empatia.
Mas mesmo diante de tanto sol,
não vi as rosas morrerem.
Mesmo diante de tanto cansaço,
não vi meu coração endurecer e desistir por completo.
Mesmo diante de tanto egoísmo,
ainda existem os sorrisos gratuitos.
Continuar é o que dá pra fazer.
Chorar hoje, sorrir amanhã.
Desfalecer hoje, voltar à luta amanhã.
Amar hoje, amar também amanhã.
Imagem: internet
26 de fev. de 2013
Decretos
Recuso-me a não sentir.
Recuso-me a endurecer,
a colocar rédeas nas batidas do coração,
a aprisionar ainda mais o espírito já sofredor de duro cárcere.
Proíbo-me de não me emocionar com minhas lindas tolices.
Proíbo-me de não me transportar para além,
a calar os lábios,
a cerrar os olhos e a imaginação que ainda resta.
Embora repleta de falhas e rachaduras
a alma continua a transbordar.
Quem liga?
Eu ligo.
Eu sinto.
23 de jan. de 2013
Em breve... "Nuvens de Janeiro"
"Nuvens de Janeiro" será meu quarto filho, digo, livro. "Em meu Jardim Secreto...", "Alma à tona" e "Mais de mil palavras - A poesia da imagem" foram os primeiros.
Preciso ser sincero e dizer que não sei escrever o que não sinto. Não consigo escrever o que, de alguma forma, não vivo. Minha vida não é exatamente um oceano de emoções constantes, em grande parte é pacata, dores aqui, alegrias ali; mas essa simplicidade não impede o Sentir. Pelo contrário. É maravilhoso encontrar a poesia nas entrelinhas dessa vida morna. Quando a poesia surge é como uma nova estrela num céu imenso, uma estrela tão querida.
"Nuvens de Janeiro" veio literalmente do céu. Os dias desse mês em especial têm sido lindos, amenos e iluminados. Às vezes chove, às vezes só nubla, às vezes o céu explode em luz. Eu não poderia me fechar a isso. Não poderia me fechar também aos sentimentos e vontades e densidades e levezas que não param de florescer.
Pronto, fecundou-se novamente em mim um novo desejo de materializar esses sentimentos. Esses chuviscos e esses temporais.
Por amar metáforas escolhi, o título "Nuvens de Janeiro" pela associação que ele faz com as sensações do eu-lírico. Chuvas densas, com relâmpagos e estrondos. Dias leves, claros, de brisa suave. Assim é a alma do poeta responsável pelas linhas deste livro.
Aproveito para agradecer as pessoas que dão incentivo e vida a esses meus devaneios. Em especial agradeço minha querida Juliana Vieira Costa, belíssima poetiza de alma sempre transbordante. É por pessoas como você, minha flor, que essas aventuras ainda valem a pena.
Para finalizar, como dito, o livro em breve estará à venda no site www.clubedeautores.com.br.
Com certeza, mais uma vez, preciso da colaboração dos meus amigos e leitores para divulgar esse trabalho.
Se estes poemas alcançarem e tocarem a alma de uma única pessoa que seja, tudo terá valido a pena.
Obrigado, muito obrigado.
12 de jan. de 2013
Purificação
Fui andando lentamente, sentindo cada uma delas; milagres duram pouco,
Mas o suficiente.
Era como se meus passos fossem saborosos,
Um prazer discreto num momento apenas meu.
Tão valioso, tão puro.
Ainda que meus paraísos tenham se despedido,
Eu tenho você aqui para cair das nuvens junto de mim.
E minhas revoltas jamais servirão novamente para ferir.
E se às vezes eu prefiro ficar longe e andar pelas alamedas sozinho,
É para procurar pedaços mais bonitos de mim,
Pedaços que são para você.
Eu deslizei por aquela praça de chão forrado de pequenas flores,
E por ser apenas eu ali, por ela ser apenas minha,
Eu deixei que uma lágrima escorresse.
Olhando o doce crepúsculo,
Vozes de mil crianças felizes ao meu ouvido,
Eu tropecei... e comecei a voar.
17 de dez. de 2012
Sangue
Minhas cores não estão nos olhos, estão na alma.
Minha armadura não está por fora, não é de ferro; está por dentro, é meu sangue.
Sangue de preto, de branco, de homem e de mulher, de anjo e de demônio.
E se a arte é a única coisa que nos cura da gente, ela será minha deusa.
Ela será minha mãe e meus irmãos e eu mesmo.
Porque o mundo não te aceita se você você não não ambiciona o que os demais ambicionam.
O mundo não te aceita se você é conformado, ou inconformado.
O mundo não aceita seus medos, suas limitações, seus desejos secretos, seu oceano profundo.
O mundo quer o raso, o solucionável, o explicavelmente claro.
O mundo não quer um gay para presidente.
O mundo não quer uma negra pobre como ídolo.
O mundo não quer que eu vista saia.
O mundo não quer que você ande sem brinco.
O mundo não quer que você fale alto.
O mundo não quer que você fale muito.
O mundo não quer você.
O mundo não me quer.
Minha armadura está nos olhos, no meu sangue tem minha alma.
A interpretação errada do mesmo livro sagrado cria ateus e fanáticos, e ateus fanáticos, e fanáticos contra ateus.
Enquanto Deus está chovendo lá fora, vocês se desrespeitam aqui dentro.
Sim, Deus é o raio, é o sol, é o vento.
Por que não?
Porque isso é explicado e compreensível?
E quem disse que ele nunca será desvendado?
Uma vez um amigo disse: 'sabe porque você não enxerga seu nariz? Porque você o enxerga o tempo todo.'
E qual minha parte nisso tudo? Ainda não sei.
E que bom pra você se você sabe a sua.
Sei que amanhã tenho um compromisso às 16. Dia 7 acabam as férias.
Sei que hoje estou bem, mas amanhã não, talvez.
Sei que o tempo cura, ou talvez não o tempo, mas a inércia.
Assim como arte, aquela de que já falei...
15 de dez. de 2012
M Eu Veneno
Se ao menos todas as palavras já não tivessem sido ditas, repetidas, gastas.
Se ao menos ainda chovesse por mais algumas horas, e eu pudesse colocar meus braços e cabeça para fora para sentir a água fria escorrendo pela minha pele.
Se ao menos, pelo contrário, houvesse muitas e estrelas e luar no céu...
Mas não. Tudo que há sou eu.
Eu, horas e horas pensando em como parar de pensar.
Dias e dias projetando trilhos de papel sobre um oceano, esperando que o trem que carrega meus extintos sonhos vá um pouco mais longe.
Se fosse dor, eu gritava.
Se fosse medo, eu acendia a luz.
Se fosse frio, eu abraçava.
Mas é pior, sou eu e apenas eu.
Sempre sentindo tudo, não sabendo sentir nada.
Cansativo, repetitivo, fosco, obscuro.
Todos os milagres já aconteceram, alguns até se repetiram.
E nada, nada me cura desse veneno terrível que sou.
Nada me eleva, nada me purifica, nada me faz voar para além de mim.
12 de dez. de 2012
Silêncio
Até que ponto você me mutilou?
Quão fundo você cravou seus dentes em mim?
Qual o tamanho do pedaço que você arrancou da minha carne?
Nada.
Quem olha não vê nada, quem vê não entende nada.
Como recompensa fiquei com a sua culpa, a culpa que você deveria sentir, mas nunca sentiu.
Como recompensa eu fiquei com a minha culpa, que eu sei, não importa quantos anos passem, ela sempre estará aqui, intacta.
Num certo olhar de profundo desprezo, ou numa noite de relâmpagos e chuva, você volta.
Na verdade você está sempre ali. Como um bandido vagando à noite, que apenas eu vejo, à espreita pelo melhor momento.
Nestes momentos, se eu torcesse minha alma, dela escorreria lama e medo.
Nestos momentos a imagem do seu sonho dando as costas é um filme que se repete.
Nestes momentos os heróis vão caminhando para cada vez mais longe do toque das mãos.
Silêncio.
É ele que me protege e ata ao seu ser imundo.
É o silêncio, que passa por mim sorrindo com dentes amarelos, aranhando minha pele, e a curando em seguida.
É o silêncio, diante da madrugada escura, sem estrelas, sem lua, sem saber o que pode vir do céu.
29 de nov. de 2012
Madrugada de lágrimas doces
Ainda me lembro dos meus últimos sonhos.
Ainda me lembro que um dia sonhei em tocar as estrelas, e além disso, ainda me lembro que um dia sonhei em tocar pessoas.
Eu tento trazer de dentro para fora o poder que ainda resta.
Eu tento resgatar aquela fé e aquele orgulho.
Eu, que tanto vejo o mundo, tento nesta noite, ver a mim.
Como eu queria poder ouvir a voz dos anjos para saber o que eles veem de lá de cima.
As canções, sempre elas, perfuram como anzol em minha alma.
Vão trazendo para fora lágrimas e mais lágrimas,
que escorrem pelo rosto com a barba recém feita;
os poros ardem e eu já espero o gosto salgado se aproximando dos meus lábios.
Mas não.
Mesmo sem a voz dos anjos;
Mesmo que o dia desperte tão igual amanhã;
Mesmo que eu sinta que tudo o que sinto não é grande o bastante;
Minhas lágrimas, minhas lágrimas nessa madrugada de chuva rápida, são doces.
Doces como se fossem meus sonhos diluídos, reciclados, voltando para dentro de mim.
26 de nov. de 2012
Ao vento
As palavras; tão leves as minhas palavras; foram todas varridas pelo vento.
E embora ontem eu tenha visto Deus nas nuvens e hoje eu o tenha visto no luar e nas estrelas,
E embora eu tenha chorado diante da certeza de estar sendo ouvido,
Meu coração insiste em não saber quem é.
Eu amo mesmo esse lugar, essas coisas, essas sensações, essas pessoas?
Ou apenas sou covarde demais para descosturar as asas que sei ter atadas às costas?
Talvez eu queira ser um ajudante na salvação do mundo,
Talvez eu só queira que o café esteja na mesa amanhã de manhã.
Serei sempre esse ensaio?
O egoísta que só não fere por saber que ferir é o que mais lhe dói?
O medroso que só não muda por preferir os medos conhecidos?
Às vezes me sinto tão grande que dói me carregar.
Às vezes me sinto tão ínfimo que um sopro torna-me farelos.
10 de nov. de 2012
O Deus interior
Foi assim, em mais um sonho
confuso, em mais uma noite de sons estranhos sobre minha cabeça.
Como disse certa vez meu amor: ‘tudo que está ao redor você absorve para si.’
Sim, chovia; ainda chove. Por
isso o céu tão negro em meus sonhos.
Chove, e como sempre, ao
notar a água caindo dócil, ao sentir minhas meias molhadas dentro do sapato
igualmente molhado, ao sentir o perfume das flores amarelas que brotam em
longos cachos naquela rua antiga, também molhada, eu sinto o coração em chamas.
Eu sinto um chamado vindo não sei de que parte, não sei de quem.
Sim, se eu olho ao redor não
faltam sinais.
Há a luz do sol que deixa as folhas das árvores verde-esmeralda,
os pássaros em sua rotina de liberdade, as pequenas borboletas embelezando os
ares.
Se eu olho ao redor, eu vejo as crianças correndo e rindo despreocupadas, o que me faz recordar a minha criança que persiste viva, também correndo e rindo despreocupada.
Porém, desta vez, não é
externo, é de dentro que essa voz vem. Eu sei.
São de dentro para fora que vêm brotando esses milagres.
E embora eu há muito tenha desistido de dar qualquer definição a Deus, eu sei que é uma parde dele aqui dentro.
É minha ligação sutil e vital com ele que me conecta às coisas que ele criou.
Nesses momentos meus olhos mergulham em minha alma que escorre.
Eu me esqueço do que é mesquinho, egoísta, pequeno, em mim e no mundo ao redor; eu olho por cima, eu subo às alturas, como que convidado pelos anjos, e por um ínfimo e magnífico instante vislumbro o semblante do Divino Mestre.
E ele me sorri.
6 de nov. de 2012
Poesia
A poesia é espasmo,
A poesia é o que não cabe mais dentro,
É a lágrima,
É o vômito,
É o sorriso,
É a voz,
É o desassossego,
É o excesso.
São as faíscas das nuvens que trombam,
É uma tempestade incandescente,
A saudade da dor,
A solidão imutável dentro do sonho perfeito.
A poesia é a criação da criatura,
A pérola no lamaceiro,
O perfume dos lírios do pântano,
O sangue, seiva da vida.
A poesia é o campo de batalha,
É a ferida mal cuidada,
É o rebelde sem causa,
É o surpreendimento diante ao óbvio,
É o abraço,
É o asco,
É a chave,
E o cadeado.
É verdade!
É mentira...
A poesia é leve, como as águas oceânicas,
A poesia é frágil, como o diamante adormecido na rocha,
A poesia é necessária, tanto quanto o ar nos pulmões;
Tanto quanto a luz de uma vela ao sol do meio-dia.
A poesia é a maldita e amada filha eterna,
A poesia sobrevirá a tudo,
Será a língua, o dinheiro, a fome, a sede e o gozo de todas
as nações.
A poesia seria a única salvação,
Se não fosse já morta, inútil.
28 de out. de 2012
Estarei bem aqui
Não sei se o mundo precisa de alguém que ainda chore para a lua.
Não sei se o mundo ainda precisa de alguém que ainda ande lentamente pelas ruas sentido a noite, os perfumes sutis, os ventos ligeiros.
Na verdade eu nunca soube de muita coisa...
Mas eu sei que mesmo que as estrelas não se mantenham mais no céu,
Mesmo que o sol não brilhe mais, ou brilhe muito,
Mesmo que as chuvas sejam fortes ou fracas demais,
Mesmo que as noites sejam longas ou curtas demais...
Enquanto você precisar, eu estarei bem aqui.
Enquanto, em algum momento do seu dia, ao se lembrar de nós, você sorrir, eu estarei aqui.
Enquanto você minha presença levar algum calor ao seu peito, eu estarei aqui.
Enquanto seus medos forem, mesmo que parcialmente, embora após um abraço meu, eu estarei aqui.
Você, tão gentil e simples, sempre colocando as palavras nos lugares certos, sempre me tocando nos pontos importantes mesmo que eu não diga quais são eles.
Você que é minha luz mesmo quando nenhuma luz consigo ser.
Você que é minha força mesmo quando nenhum músculo consegue se mover.
Você que é minha paz mesmo quando minha alma grita.
Você que sempre sabe como me salvar de mim...
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