25 de abr. de 2012
Paisagem
O que pesa tanto?
Nem é a vida viu, é essa alma de esponja que absorve tanto...
Isso sim cansa.
O chão nem parece mais concreto, a gente vai andando como se deslizasse, como se fosse água que não pensa, mas continua escorrendo pro lado certo, ou obrigatório.
O céu também nem parece céu, parece teto, de tão próximo.
Azul pálido, de nuvens paradas, sem vida. Nem faz diferença.
Nas ruas os carros e motos passam com bandeiras presas. Hoje tem jogo do time da casa.
Uma coisa que sempre me arrepia e quase emociona é ver uma bandeira bruxuleando; qualquer bandeira, por qualquer motivo. Bandeiras representam fé em algo, e a fé é sempre bonita, mesmo que seja em algo tolo.
Não tenho sentido fé.
Mas não por deixar de acreditar, acredito nas mesmas coisas de sempre, e talvez até algumas a mais.
Mas fé pra mim é sinônimo de calor, e eu tenho sentido frio.
Saber que as coisas existem nem sempre é o bastante.
Que ser-humaninho insaciável sou eu. Lamentável.
Só não estou pra escolhas duras, só isso. Tudo bem?
Não espere grandes feitos nesses meus tempos áridos e quase frios.
Escolherei o caminho mais indolor dessa vez, o mais fácil possível.
Ainda não recuperei todo meu sangue... Não que tenha derramado muito, mas é que me corre pouco demais nas veias.
Tudo tem sido uma pintura, uma quase-obra-de-arte.
Talvez uma pintura Impressionista.
Reluzente, verdadeira, mas sem lógica.
21 de abr. de 2012
Retratos
Gosto dos perfumes nas roupas.
Gosto de ouvir a canção da chuva, umedecendo meu coração quente e seco com sua melodia de criança.
Meus caminhos novos são exatamente os mesmos que em que já tanto pisei.
Os cortes são sempre sobre as mesmas cicatrizes.
Minha memória quando quer sentir medo retorna aos mesmos pesadelos em que eu ficava preso na mesma esquina entre dois nadas.
Mas nesse meu estranho Jardim Secreto, algumas insanidades são tão bonitas.
Maravilhas brotam por entre as árvores mortas.
E é tão bom quando nós conseguimos sentir saudade e desejo.
É tão bom quando nós sonhamos nossos sonhos tolos.
Vou me apaixonando pelos silêncios, pela paz e pela calma.
E eu vou esperando cada vez menos, vou ansiando cada vez menos, vou me bastando.
Um barquinho num lado de espelhos, a chuva chovendo...
São retratos do meu mundo,
do mundo.
Gosto de ouvir a canção da chuva, umedecendo meu coração quente e seco com sua melodia de criança.
Meus caminhos novos são exatamente os mesmos que em que já tanto pisei.
Os cortes são sempre sobre as mesmas cicatrizes.
Minha memória quando quer sentir medo retorna aos mesmos pesadelos em que eu ficava preso na mesma esquina entre dois nadas.
Mas nesse meu estranho Jardim Secreto, algumas insanidades são tão bonitas.
Maravilhas brotam por entre as árvores mortas.
E é tão bom quando nós conseguimos sentir saudade e desejo.
É tão bom quando nós sonhamos nossos sonhos tolos.
Vou me apaixonando pelos silêncios, pela paz e pela calma.
E eu vou esperando cada vez menos, vou ansiando cada vez menos, vou me bastando.
Um barquinho num lado de espelhos, a chuva chovendo...
São retratos do meu mundo,
do mundo.
19 de abr. de 2012
O infinito cabe num segundo
Apenas outra vez essa língua amarga.
Nada de palavras, nada de canções...
Nadando na própria saliva de fel.
Escondida por esses mesmos lábios finos e sem sabor, na mesma boca que devorou minha luz.
Parta-me!
Talvez eu volte a brilhar!
O que foi?
Os sonhos em penumbra, neblinados, as dimensões rompidas?
Medo, voracidade, luxúria?
A beleza tão sublimemente fútil dos diamantes falsos...
Sem sol, nuvens. Por pouco, sem céu.
De repente o infinito cabe num segundo.
Mas o segundo passa e deixa nosso amado e velho inimigo.
Claro, o Vazio.
O que mais?
Mas agora, não o vazio de certezas ou quimeras, já não fazem diferença.
É puro vazio de si mesmo.
Nada de palavras, nada de canções...
Nadando na própria saliva de fel.
Escondida por esses mesmos lábios finos e sem sabor, na mesma boca que devorou minha luz.
Parta-me!
Talvez eu volte a brilhar!
O que foi?
Os sonhos em penumbra, neblinados, as dimensões rompidas?
Medo, voracidade, luxúria?
A beleza tão sublimemente fútil dos diamantes falsos...
Sem sol, nuvens. Por pouco, sem céu.
De repente o infinito cabe num segundo.
Mas o segundo passa e deixa nosso amado e velho inimigo.
Claro, o Vazio.
O que mais?
Mas agora, não o vazio de certezas ou quimeras, já não fazem diferença.
É puro vazio de si mesmo.
9 de abr. de 2012
Fio de Luz
Como dois poços profundíssimos, em cujos fundos repousam o brilho da luz de uma vela; estes estão meus olhos.
Dois círculos negros, com uma janela aberta ao nascer do sol cada, bem ao centro.
E nesta tarde, a própria escuridão tamanha do meu espírito torna minhas reles faíscas de claridades muito mais evidentes e deslumbrantes. Ao menos para mim mesmo. Quem sabe, talvez, para algum outro ao redor.
Porém não minto, tenho sim espírito de sombras.
Tenho pele frágil, coração fraco.
Mas tal qual rocha feia e fria, tal qual qualquer outro um; pode haver, deve haver, tem de haver, algo de valor incrustado no âmago. Em meu, no seu, âmago.
Que seja esse mísero fio de luz incandescente.
Estou de pé agora, ouvindo novas canções, saboreando um doce carinhosamente oferecido, lembrando que todas as manhãs, na primeira esquina em direção ao trabalho, existe um campo com poucas árvores, com o chão coberto por flores simpaticamente azuis, esta visão é como uma prece sem palavras. Estou de pé agora, lembrando da imensa paineira toda, toda florida nesse início de outono (esta que fica algumas ruas abaixo do campo de flores azuis)
Estou de pé agora... e é linda a paisagem daqui de cima.
É certo que esta claridade não durará, assim como aquela escuridão não durou.
É certo, porque nem as rochas são eternas; são elas esse pó que se acumula sobre nossos móveis e sonhos.
(Só o que é feito de amor e por amor o é, e mesmo assim somos miseráveis diante da imensidão dele. Quantas vezes, ainda que completamente imersos nele, nos damos ao luxo de sentir dor.)
E não, não estarei mais forte quando a luz apagar, não estarei menos assombrado pelos fantasmas que nunca se despedem completamente.
Não, porque raras vezes o que não nos mata nos torna mais fortes. (Esse é um ditado bobo, como todos e quaisquer outros ditados; termos fortes, pouca verdade.)
Não raro, o que não nos mata, nos fragiliza.
Porém, por outro lado a fragilidade é uma benção.
A fragilidade recorda os humanos a importância de se ser Humano.
A fragilidade nos torna lentos e lentidão nos faz pousar o olhar sobre o pequeno, sobre o detalhe, e grande parte das vezes os detalhes são os sorrisos de Deus.
E acredite, não há nada mais belo do que ver Deus sorrindo.
29 de mar. de 2012
Encantado
Ainda preciso da ilusão como do ar, e que não se ouse confundir com mentira, o que sinto é mais real do que o que toco.
Não que a vida tenha doído, nem dói. Vamos seguindo...
Mas se pudesse roubaria-te tão logo para mim, só para mim.
Pois a cada dia a certeza cresce. Aumenta. Aquece.
Quado há silêncio, há sua voz como canção.
Quando há fome, há sua boca.
Quando há dor, há sua mão.
Quando não há nada, ainda há você. Todo.
"Este excesso de realidade me confunde." - disse-me Adélia.
A mim também, tanto que corro até onde ele está e sem que saiba deito naqueles braços macios.
Porque sei que acabaria com o real por mim, levaria-nos novamente para nosso "era uma vez..."
Mostram coisas estranhas no noticiário. Pessoas que não sabem voar. Pessoas que não saber amar. Pessoas que sabem matar. Pessoas que sabem fingir.
Comprazem-se com barulhos estranhos, vazios.
As canções por aqui já não são mais orações...
Tantos muros altos, esperanças distantes, cansaços sem significado.
E eu imóvel.
Diante dos muros, dos livros, dos cacos, caos e ruídos.
Estou há milhas de distância de quem sou.
Vamos de volta, Anjo Meu?
Vamos de volta ao que sobrou da nossa antiga ignorância?
Vamos de volta ao não-saber.
Não quero ficar para sempre aqui, não quero essas dores para mim, para nós, para todos.
Vamos correr, correr enquanto temos poder sobre nossas escolhas.
Vamos de volta ao nosso mundo encantado;
e se ele não existiu, vamos fazê-lo ser.
9 de mar. de 2012
Auto-ausência ou Síndrome de Alice
Acho que nunca tomei um café tão bom; sabe? Nem forte nem fraco, no ponto, bem doce.
Café de mãe é sempre o melhor do mundo.
Sei que pouco interessa a quem quer que seja, mas as ultimas semanas não foram das melhores, nem das piores, foram peculiares.
Boa parte do tempo fiquei melancólico, e em minha mente se refletia aquela cena de “Titanic” onde a personagem “Rose Dewitt Bukater” corre pelo convés do navio sentindo como se estivesse à beira de um precipício, onde não havia ninguém que a puxasse de volta, ninguém que ligasse, ninguém que ao menos a notasse... – mas sem aquele drama todo da cena – era mais como uma cena de filme mudo e lento. Causei confusão por isso, compliquei certas coisas, pensei que se eu tivesse muita, mas muita atenção, aquela que tive 9 meses atrás, eu não pularia pela milésima vez nesse precipício cruel. A verdade é que eu tinha a mesma atenção de sempre. A verdade é que tudo está bem, os gatinhos estão bem e danados que só, a música que toca é boa e o som está puro, o quarto está limpo e todas as pessoas que mais amo estão sob o mesmo teto, quase todas – mas todos estão, finalmente, bem.
Há lua imensa no céu, meu amor não demorará a chegar, “A invenção de Hugo Cabret” - finalmente li algo nesse mês! – é um ótimo livro, e repito, o café está ótimo!
Bem, eu caí no precipício, graças a Deus, pois a dor que senti nos últimos tempos foi pura falta de mim – e o temido precipício era eu mesmo. Como Alice que despenca numa toca de coelho, e encontra um mundo tão seu, tão assustador quanto sedutor.
Ainda não cheguei ao fundo, ainda sinto certa saudade de mim, daquele meu eu tão particular quanto universal. Sinto falta daquelas cores que eu via, daqueles sabores que provava e perfumes que sentia.
Vou sentindo a queda então, mas agora sem medo, talvez eu esteja lá no fundo, sorrindo e com um abraço à minha espera.
22 de fev. de 2012
Perdoo
Eu perdoo minha dor, mesmo tão amarga em meus lábios, rançosa.
Pois é como terra fria onde, se Deus quiser, algo vai germinar.
Eu perdoo minha fome, insana, atroz.
Porque talvez, quem sabe, seja ela que me obriga a não desistir.
Eu perdoo a ausência, pois há vez que é tão bonita a saudade.
Eu perdoo a distância, pois é bom saber-nos correndo ao encontro.
Eu perdoo o silêncio, porque ele não tem culpa de nada...
Eu pedoo a dúvida; serei eu a água evaporada que comporá as nuvens para o próximo temporal? Se sim, não trarei apenas desconforto, ventos e pavores, também aguarei o girassol da calçada.
Eu perdoo também o medo, mas só porque um dia ele passa...
21 de fev. de 2012
Detalhe*
E canto pra não pensar...
Penso pra não falar,
Falo pra não chorar
Mas choro por sentir.
E meu canto é triste, como de pássaro perdido na relva, sem selva.
Meu pensar é calmo como leito de rio raso,
Que segue fluindo frágil.
Minha fala é mansa pra não magoar.
Sou homem pequeno,
Escolhido por Deus para ser um detalhe.
Meu choro é escrito de palavra humilde,De coração rico,
De sonho grande.
Mas meu sentir quando sentido é pura verdade.
É mesmo amor.
É mesmo amor.
*Poesia de "Alma à tona" pag. 27
"Adquira conhecimento no carnaval!"
Amigos amados, conto com o apoio de vocês!
"Alma à tona" ( http:// www.clubedeautores.com.br/book/ 123099--Alma_a_tona )
"Alma à tona" ( http://
e "Em meu Jardim Secreto..." ( http://
com 25% de desconto no "Clube de Autores"
Hoje, apenas R$ 26,63 cada.
"Mais uma das tantas vezes, olhei para aquela mochila velha que guardo atrás da porta e apertei os olhos, forte, trepidando os lábios... Ai respirei fundo, tão, mas tão que em mim entrou a vida esquecida, os rostos amados, meu sangue... Era por eles, seria apenas por eles que eu não mais partiria."
Gracietti Serafim Teixeira.
20 de fev. de 2012
Nada mais dói
Precipitado-se não apenas absolvedora, mas absolvida.
Faço-me aroma e gosto de terra molhada, encharcada de vida. Perdoada por suas flores até então não germinadas, amada por alguns de seus frutos já suculentos.
Faço-me brisa pacífica, transportadora de docilidades.
Assim finjo para mim não ferem mais as dúvidas.
Finjo que com a vinda do outono tudo o que ainda persiste morto e seco aqui dentro há de partir, carregado pelo vento não tão dócil.
Finjo tão bem que acredito que nada mais dói.
E realmente nada mais dói.
Caça e flores
Não foram apenas pesadelos mais uma noite inteira.
Houve aquele momento, houve aquela cidade, a minha cidade, tomada por uma invasão de flores.
Os prédios adornados por imensos arbustos que desabrocharam orquídeas imensas.
As calçadas eram calçadas por florinhas e não por pedras frias.
E onde quer que se olhasse, o que se via eram tantas cores e tantos sorrisos.
Nada de carros nas ruas, nada de pessoas mais estranhas que extraterrestres, era leve.
Leve; as senhoras passeando com seus cachorrinhos, as crianças com seus brinquedos.
Que pena o belo ser tão veloz...
Que pena tão cedo estar eu correndo novamente... correndo, meu Deus, sabe-se-lá do que e para onde.
Por que essa caça a mim nunca termina?
Sou eu meu algoz, sou eu que me persigo?
Por que, quem seria mais teimoso que eu para nunca desistir?
Ou será que em vez me caçar apenas tento me alcançar?
Pois em alguma dessas últimas noites deitei por um instante nos negros cabelos sedosos da noite e ouvi de uma estrela tão brilhante que se fazia minha falta naquele céu.
Respondi: você não imagina é a falta que às vezes esse céu faz em mim.
Houve aquele momento, houve aquela cidade, a minha cidade, tomada por uma invasão de flores.
Os prédios adornados por imensos arbustos que desabrocharam orquídeas imensas.
As calçadas eram calçadas por florinhas e não por pedras frias.
E onde quer que se olhasse, o que se via eram tantas cores e tantos sorrisos.
Nada de carros nas ruas, nada de pessoas mais estranhas que extraterrestres, era leve.
Leve; as senhoras passeando com seus cachorrinhos, as crianças com seus brinquedos.
Que pena o belo ser tão veloz...
Que pena tão cedo estar eu correndo novamente... correndo, meu Deus, sabe-se-lá do que e para onde.
Por que essa caça a mim nunca termina?
Sou eu meu algoz, sou eu que me persigo?
Por que, quem seria mais teimoso que eu para nunca desistir?
Ou será que em vez me caçar apenas tento me alcançar?
Pois em alguma dessas últimas noites deitei por um instante nos negros cabelos sedosos da noite e ouvi de uma estrela tão brilhante que se fazia minha falta naquele céu.
Respondi: você não imagina é a falta que às vezes esse céu faz em mim.
18 de fev. de 2012
"Alma à tona" e segunda edição de "Em meu Jardim Secreto..."
Há muito não escrevo em "Aventuras Internas", mas isso tem um bom motivo. A publicação de um novo livro, "Alma à tona" e a reedição de "Em meu Jardim Secreto..."
Nos últimos tempos estive empenhado em dar forma física às poesias que começaram a brotar pouco antes do laçamento do meu primeiro livro, em 2010. E essa vontade se concretizou há alguns dias com o lançamento de "Alma à tona" através do Clube de Autores, (um site/empresa muito bacana que recomendo àqueles que desejam ter sua obra publicada com qualidade e total liberdade de edição. Recebi meu exemplar de "Alma à tona" nessa semana e o trabalho do Clube é realmente bom, honesto e coerente.)
Mas vamos falar um pouco sobre a essência do livro "Alma à tona". Alguém um dia disse que qualquer coisa que produzimos é de certa forma autobiográfico. Concordo plenamente. Tudo o que fazemos, tudo em que agimos, leva um traço nosso, da nossa personalidade, da nova vontade, dos nossos sonhos. Desde a forma como arrumamos a casa até, claro, uma obra artística, seja ela literária, plástica, teatral, etc...
"Alma à tona" é exatamente o que o nome diz. Sempre gostei muito de poetizar metáforas, de usar elementos do cotidiano, da natureza, para expressar sentimentos e sensações que sempre precisaram vir à tona. Sejam eles grandes ou pequenos, reais ou fabricados pelo sonho. Então foi isso. Nesse novo livro muita coisa que estava submersa veio para a luz, assume-se o medo, a paixão, as vontades, e é claro, o AMOR.
E por que julguei importante publicar esses poemas? Qualquer um sabe que a menos que se seja famoso, não se vive de literatura no Brasil. Então é claro que não foi por dinheiro. Publiquei, assim como ocorreu em "Em meu Jardim Secreto..." por dois motivos: um por necessidade própria. Preciso ver esses sentimentos no papel, vindo de volta para mim, como num ciclo, para que eu jamais me esqueça que tenho tantas sombras e tantas luzes no coração. Acima de tudo, para que eu jamais me esqueça que tenho um coração e que ele tem muitos, muitos sentimentos. O outro motivo, o mais importante, é fazer com que o leitor, ao ter em mãos esse trabalho, se enxergue ali. Como num espelho, mesmo que seja um espelho esfumaçado. Mas que ele possa através daquelas palavras despertar e dar nome aos sentimentos que ele mesmo traz no espírito. Acredito que não há nada melhor que nos encontrarmos em outras coisas, como nas canções, nos filmes, nas obras da natureza. É muito bom quando vemos que não somos seres isolados, mas que de certa forma estamos conectados e estendidos para outras direções, que não estamos confinados em nosso corpo, em nosso próprio mundo. O ser-humano NÃO existe sozinho. Por isso escrevo, para derrubar os muros que encontro.
Falando agora sobre a reedição de "Em meu Jardim Secreto..." O Clube de Autores me possibilitou essa chance de alterar algumas coisas que não me agradavam por completo na primeira edição, por exemplo alguns erros de digitação (esse é um dos poréns em se arcar com a edição de um livro, não sendo um profissional da área, alguma coisa sempre acaba passando, o que chateia bastante o autor), assim como também, foi possível fazer algumas "podas" no "jardim", retirar algumas coisas que já não eram extremamente bem-vindas ali, assim como também "plantar" outras que passaram a ser necessárias. Mas saiba-se: aquele ainda é o mesmo "Jardim".
A edição ficou muito boa na minha humilde opinião, espero que também agrade os que desejarem adquirir o livro.
Para finalizar gostaria de agradecer a todos que tornaram isso tudo uma realidade. Aos meus amigos, próximos ou distantes, que adquiriram as obras e também a todos aqueles que mesmo sem adquirir tiveram inominável importância para que elas se concretizassem. Todos vocês ao meu redor são tudo pra mim.
Deixo abaixo os links para os livros, faça uma visita se desejar:
http://www.clubedeautores.com.br/book/123099--Alma_a_tona
http://www.clubedeautores.com.br/book/123944--Em_meu_Jardim_Secreto
Abraços.
18 de out. de 2011
Um pranto de nuvens feridas
Se faz sol lá fora, por que há tanta chuva aqui dentro...
'um pranto de nuvens feridas.'
Assustam-me os relâmpagos, os ventos, tantos trovões.
Quem trouxe a tempestade, ou porque a criei?
É saudade? É tudo apenas saudade?
Se for, tenho medo que essa saudade se torne fome, e essa fome devore minha alegria...
As pessoas caminham abobadas pelas ruas, perdidas em seus destinos fracos.
Fazem sons estranhos, têm olhares dilacerantes.
E eu em silêncio, um silêncio de cansaço; acuado, fugitivo.
Lembro-me do casebre das primaveras... nunca lhe falei sobre ele.
É um casebre com uma única porta, no fim de um corredor pequeno, com um caramanchão natural de primaveras rosas e vermelhas.
É tão simples, tão divino.
Nos imaginei ali, morando naquela casinha humilde, sentados embaixo das flores nas tardes de domingo.
Imaginei você sorrindo e feliz por estar ao meu lado, feliz por ser para você suficiente esse tão pouco que sou. E essa foi a melhor sensação dos meus últimos dias.
Mas meu lado frio foi logo rebatendo: "Que bonita e tão, tão distante quimera..."
Meu coração tem luz simples e faz tanto escuro aqui.
Meu coração tem calor suave e às vezes caminha por um deserto gelado.
Bem queria eu sair em silêncio, em caminhar suave, por essas ruas cobertas pelas folhas do último inverno... ir ao teu encontro, ir ao meu socorro.
Como queria extrair-nos dessa realidade que nos impede o sorriso tantas vezes.
Mas o que posso fazer é apenas o que menos sei: esperar.
Esperar que a semana finde, que você se aproxime, que a chuva passe...
5 de out. de 2011
Proteja-me do amanhecer
Tal qual criatura das trevas acomodei-me na noite; fria, seca, insone.
Noite de estrelas histéricas, de lua que gargalha.
Tal qual criatura do escuro tive medo do amanhecer,
Tive medo do sol sobre minha pele, tive medo do meu olhar ofuscando-se dolorosamente mais uma vez; junto à minha mente, junto à minha alma.
Tive medo de tanta falta.
22 de set. de 2011
Por todo meu eu
Queria muito derrubar você nessa cama agora,
Beijar dos seus pés aos seus cabelos,
Inebriar-me com seu cheiro,
Acariciar sua pele como um jardineiro acaricia a terra.
Queria muito não ser tão limitado
Para poder mostrar a você o tamanho do amor que trago.
Envolver-te nos meus mundos mágicos, antes tão solitários.
Dizer-te que não há qualquer caminho no mundo que não me leve a você.
Preciso dizer quão incrível é rogar em silêncio um abraço quente seu,
E logo em seguida ter seus braços ao redor do meu corpo...
Você sente o que meu espírito diz sem palavras.
Preciso dizer que não há mais nada que eu precise sentir além de você
Dentro, ao redor e por todo meu eu.
Por todo meu eu.
4 de set. de 2011
Dia Santo*
Movimento-me em silêncio lembrando-me de quando Jesus me disse:
“Menino, a cada dia basta o seu mal...”.
Então olho para o céu e agradeço a vinda do arco-íris. Luz e água, reflexos do
paraíso.
E toda cidade parece ter sido abençoada; a mesma pequena cidade de poucas
surpresas e grandes segredos.
Assim, descem as ruas as sorridentes senhoras com seus guarda-chuvas
coloridos e suas roupas com estampas floridas. Para elas o dia é santo em
louvor a uma santa distante, para mim é santo pela chuva que caiu há pouco
e absolveu as almas que tocou. É santo pelo sol que surgiu agora e deixa as
ruas douradas; é santo pela misericórdia divina que mantém as flores desta
minha primavera vivas.
Eu pararia a vida nesta tarde, por causa desta luz, por causa do perfume
que o ar está distribuindo, pela única rosa no jardim em frente. Pararia pelas
senhoras com suas preces; por olhar a porta entreaberta e observar um
mundo tão puro que temo um dia ver deixar de existir, pois tudo isto coloca
em minhas mãos um suave e bem-vindo resquício de fé; fé muito distante da
que aquelas mulheres têm, mas ainda assim, fé.
O céu tão claro parecer querer me provar que o mundo ainda tem uma
chance, uma escolha.
Isso é o mais próximo do Paraíso que eu poderei chegar, isso é mesmo tudo o
que preciso. É tudo o que sou.
Acredito que Deus ensinou Seus filhos a amar; é o que minha esperança
precisa saber para conseguir existir.
*'Em meu Jardim Secreto...' pag. 118
30 de ago. de 2011
Apenas seu
Traço essas linhas entre lágrimas.
Aquelas, límpidas, mornas, puras, que sua onipresença faz jorrar.
As lágrimas que você permitiu choverem sobre você.
As lágrimas que germinaram a vida latente em mim.
Preciso que saiba que ao ver os ipês brancos e amarelos, o alvorecer e o anoitecer, os céus de cobalto ameaçando chuva regeneradora, as crianças brincando de bola no asfalto; eu vejo sua face, seu olhar delicado, seu sorriso dócil e humilde. Eu vejo uma outra face de Deus, a mais bela que conheço Dele.
Preciso que saiba também: suave como as brisas das madrugadas, como o azul pálido do céu desse inverno seco, como o caminhar cansado ao entardecer, eu recebi a notícia, provinda talvez dos anjos que guardam meus sonhos mais puros, que meu espírito estava completamente aberto, aberto e pronto para ser vivo contigo, intensa e profundamente. Estava pronto para receber esse milagre, de olhos, braços e alma escancarados, em toda sua plenitude.
Perdoa a necessidade que sinto em fazer-te meu ar, meu pão e minha água.
Perdoa a necessidade tamanha que tenho da sua pele, do seu gosto, do seu sentimento.
É que tudo em mim já não é mais completamente eu, tudo em mim fundiu-se em um ‘nós’, único, exato.
Sua distância é distância de mim mesmo.
Sua felicidade é felicidade para mim mesmo.
Sua paz é a minha paz.
Não sou muito, anjo amado. E repito que o pouco que sou ainda precisa muito ser melhorado.
Mas o que possuo, aquilo que foi cultivado e protegido por anos a fio, é sublime e imenso, verdadeiro e intenso. É, razão dos meus dias, aquilo que qualquer ser mais deseja, mais busca, às vezes mais teme, e com certeza o que mais precisa: é o amor.
E este é seu. Apenas seu.
24 de ago. de 2011
Paradoxo*
O Amor é mesmo um fogo que arde sem se ver; uma sarça ardendo sem se consumir. A voz de mil anjos aos ouvidos, queimando-lhe os tímpanos, transformando cada pensamento enraizado em pluma leve, e cada pluma leve em fortaleza firme. E a pele, a pele macia e suave, exala labaredas.
O Amor é mesmo uma ferida que dói e não se sente; esse peito aberto por onde entram brisas e temporais, esperanças dantescas e medos mesquinhos. Um alívio grande em ser cortado pela saudade desumana. Percorrer em segundos aquele caminho infinito.
O Amor é mesmo um contentamento descontente; um tráfego por paraísos que inibem e assustam de tão belos. Paraísos que metem medo de tão intensos e completos.
O Amor é mesmo dor que desatina sem doer; é receber dentro de um coração pequeno um milagre imenso, ver suas paredes esticando, rasgando, rompendo-se... enquanto dos olhos jorram lágrimas de mais pura felicidade.
O Amor é mesmo um não querer mais que bem querer; essa vontade de correr para bem longe, se for para poder vê-lo se aproximando mais e mais... com o sol dourando-lhe os cabelos, o sorriso reluzindo no rosto.
O Amor é mesmo um caminhar solitário por entre a gente; pois que tudo e qualquer coisa além dele próprio é pouco ou nada. Nenhum olhar, nenhuma voz, nenhum perfume, nenhum caminhar... nada se compara ao seu olhar, à sua voz, ao seu perfume, ao seu caminhar. Tudo além de ti é apenas ausência.
O Amor é mesmo nunca contentar-se de contente; a divina ambição insaciável. É nada, nunca, ser grande o suficiente se posto ao lado da sua presença. É alcançar o limite de uma alegria ilimitada.
O Amor é mesmo cuidar que se ganha em se perder; oferecer tudo o que as mãos e o espírito alcançam. É deixar partir tudo o que se sentiu, ficar vazio, mas ser preenchido pelo universo, ao mesmo tempo.
O Amor é mesmo querer estar preso por vontade; em braços, pernas e vontades. Um desejo de escravidão, mas que faz alcançar com as pontas dos dedos as chuvas das montanhas, os oceanos esverdeados, os céus azuis; todas aquelas bonitas faces de Deus.
O Amor é mesmo servir a quem vence, o vencedor; o prazer em abdicar-se, de reconhecer-se ínfimo diante do milagre, é aceitar-se pequeno fazendo o máximo. É reconhecer-se servo com honra, pois serve-se a quem venceu-lhe as sombras, os medos, as dúvidas.
O Amor é mesmo ter com quem nos mata, lealdade;
pois é simples, morre-se desse Amor, e ainda assim, continua-se a viver dele.
*Construído sobre o soneto de Luíz Vas de Camões.
18 de ago. de 2011
Formosa Rosa do Deserto
Eles acompanham meus traços magros com olhares felinos, como se sentissem fome dos meus sonhos.
Meu coração se acua, se limita, e deixa transparecer alguns espinhos;
ele que prefere bem mais ser apenas florido.
Falta tanto para o fim do inverno, para o fim da semana, para o fim do dia...
Mas eu tento alcançar o que há muito além dessas frias faces feias.
Tento soprar para dentro do peito aqueles momentos em que nos amamos por entre as canções, luares, estrelas...
Aqueles momentos em que nos amamos com nossos corpos, e ainda mais com nossas almas; em silêncios, em gestos, em palavras sussurradas, em sorrisos sinceros.
Sentimos sim falta das chuvas, da terra castanha e molhada, dos nossos espíritos desempoeirados; mas digo-lhe: como lá fora cantam belas as azaleias!
Veja estas flores!
Apenas elas dentre toda criação conservam para sempre alma de criança;
Sempre ressurgem inocentes,
Reluzentes,
Intensas,
Indiferentes às estações que as cercam.
Apenas as flores são completamente puras.
Doam-se por completo, sem exigir nada em troca.
Assim sinto você,
como aquela Formosa Rosa do Deserto, pela qual me apaixonei à primeira vista.
Isso te lembra algo?
Essa divina flor tem a coragem de desabrochar onde tudo lhe faltaria... até quem a admirasse.
Mas ela aprendeu a guardar dentro de si as poucas lágrimas que Deus derrama no deserto, e vivem desse milagre, e espalham esse milagre.
Assim o fazemos, meu amor. Nos alimentamos da luz que mantemos dentro desse relicário em nosso peito, e ela nos guia, dia e noite, um ao outro.
Juntos podemos florescer essa benção, multiplicá-la pelo mundo,
com os outros peregrinos de deserto.
O que mais quero que saiba é que não há mais eu e meu amor por você.
Há uma fusão, intitulável e maravilhosa, que me faz enxergar pores-do-sol púrpuras e doze sóis nascendo pela manhã...
Pois meu anjo, você é a prova da existência do paraíso;
bem aquele que mais desejei: o simples, calmo e belo paraíso.
Você...
Você que disse: “Abra sua porta para mim.”
Antes mesmo de eu terminar minha corriqueira prece implorante por sua presença.
Você que disse: “Abra sua porta para mim.”
Já estava à minha frente, vindo de tão longe, em carne, osso e claridade.
E eu digo a você: Não há porta para abrir.
O solo em que está, é solo de Jardim, e Jardim sou eu.
Você está completamente dentro de mim.
13 de ago. de 2011
Minha divindade
Há aqueles dias em que Deus encontra-se tão bem camuflado
que não o distingo da paisagem amarela desse inverno.
Colho uma flor e não sinto Seu cheiro nela.
Vejo o sol nascendo e não sinto o calor dele vindo misturado à luz.
Encontro uma criança sorrindo e quase não acredito que todos os sorrisos dela são os sorrisos Dele.
Mas até que enfim compreendo que fui eu,
em todos aqueles dias insossos,
naqueles instantes frios e secos, que me escondi de Deus.
Fui eu em que tantos momentos submergi na minha autopiedade.
Fui eu quem girei em vórtices de desejos e temores absurdos.
Eu que me esqueci: onde Deus também habita é dentro de mim.
Onde eu mais O sentirei é dentro de mim.
Pois você se aproximou, meu Amor.
Você se aproximou com seus passos silenciosos, com seu sorriso levemente desabrochado,
com esses seus olhos faiscantes,
com alma e corpo perfumados.
(Eu alcanço seus lábios, ansioso e voraz como uma criança que tenta apanhar seu mais valioso brinquedo no alto da prateleira. E você me recebe, me eleva até onde toco com minhas mãozinhas o milagre mais sutil, mais puro, mais inocente que qualquer um poderia conceber.)
Você me relembra, trás à tona, a minha própria divindade.
Você esteve, todo esse tempo, em busca da minha paz, sem saber...
Sem saber que sua existência já regia a minha, mesmo que ambos estivéssemos deslocados, em nossos mundos distantes.
Por tua graça eu encontrei minha absolvição,
minha primeira e mais bela chance,
minha fé,
minha verdadeira vida.
Anjo que abraça minha alma*
Ao horizonte de nuvens escuras a luz sucumbe.
Crianças desenham sóis, heróis e paraísos nos muros com seus gizes de cera.
A noite chega tão bela, mas tão solitária.
A canção com seus acordes de violinos penetra em meu espírito derramando
perfume sobre minhas feridas mais secretas.
Algo voa em direção ao meu peito; faço uma oração por tudo o que ainda
acredito.
Ouso um passo além...
Tudo vai e volta para mim.
Enfim sinto paz, como se um anjo estivesse abraçando minha alma.
Pequenos sonhos e sutis esperanças por enquanto são suficientes para dar
razão à vida.
Então me perdoo por tudo o que fui e sou.
Agora e depois preciso continuar, ter algo em que depositar minha fé.
Por mais que além deste Jardim tudo pareça frio e cruel, eu sei que o amor
realmente nunca diria adeus.
E nesta noite eu apenas gostaria de ter asas... para voar atrás desse anjo que
abraçou minha alma.
* "Em meu Jardim Secreto..." pag. 106
9 de ago. de 2011
É o meu?
Chovem cinzas suaves do céu de cobalto,
Em algum lugar corações consomem-se em chamas.
É o meu?
É o meu que se desprendeu do peito de vez e alçou voo por essa madrugada que acaricia seus amantes?
É o meu que, envolto em suas labaredas divinas, flutua insano sobre a cidade; sujando suas ruas, quintais e jardins com os medos que vêm sendo incinerados?
Pois deve ser... danado que só,
bem que ele deve ter ido ao encontro de sua razão de pulsar.
Deixo, ligo não. Tem que ir mesmo.
E nem é tão longe, não é mesmo?
30 de jul. de 2011
Como quem procura...
Acordei sentindo você sobre a minha pele,
Como se você estivesse despertando junto de mim,
Naquela cama pequena, velha e fria.
E é tão real que ainda restava seu gosto em minha boca, em minhas mãos em meus devaneios.
Em todo meu corpo havia o calor do seu; dos seus braços, do seu peito e pelos,
Aquele calor que me acaricia, e germina, e reaviva.
Eu caminho de pés nus pelo chão empoeirado de madeira,
Vago pelos cômodos vazios como quem procura... quem procura.
A manhã me serve um bom-dia através da luz que projeta em minha janela,
em minha cortina de plástico vagabundo e tão florido, tão bonito.
E eu me sinto simples.
Já partira a madrugada com sua lua;
sua bela lua branqueada,
que me acompanha em todos adormeceres quiméricos,
e em todos despertares desesperançosos.
Também começo a acreditar na desistência das sombras.
Começo a limpar meus céus cinzas, minhas almas perdidas, meus corações medrosos...
todos meus eus bandoleiros.
Também começo a sentir desabroches nos meu jardins estáticos.
É inverno, bem o sei; mais do que qualquer um saberia.
É inverno, bem o sinto; já que sou eu as pastagens secas e incendiadas,
sou eu as folhas amontoadas no asfalto,
os galhos ressequidos nas copas das árvores.
Mas assim também sou eu, os ipês rosas explodindo em vida,
E os amarelos que zombam das calamidades do mundo com todo seu gozo, alegria e cor.
Sou eu, tudo e qualquer coisa, dentro de mim, e ao redor.
Logo haverá sua mão na minha, e talvez eu tremendo em meu constante medo de não ser bom o bastante para meus milagres tão rogados.
Mas eu estarei aqui, ansioso por ti.
Com certeza matemática, eu estarei aqui, esperando por sua vinda...
E estarei sorrindo.
Assinar:
Postagens (Atom)












