5 de jun. de 2021

05/06/2021

 


Pelo vendo que põe em dança as árvores e trás balões coloridos de festas distantes, pelo zumbir dos insetos em euforia pelos canteiros do já cansado jardim, pela lágrima presa no canto dos olhos diante de mais uma despedida silenciosa, pacífica, eu sei que agosto não demora. 

Agosto não demora a preencher as ruas com sua poeira dourada e sua nostalgia dos tempos em que eu ainda tentava fazer o amor se sentir bem-vindo.

E olhando as pequenas abelhas rodopiando por entre as flores humildes eu me pergunto se o paraíso já não tinha anjos o suficiente quando te chamou de volta. 

A verdade é que tem sido agosto por muito tempo... Semanas, meses e anos observando o céu sempre azul esperando que a primavera realmente chegue com força suficiente para embelezar um mundo árido, sofrido.

4 de jun. de 2021

05/06/2021

 


Quando tudo o que sobra para ferir o silêncio da noite é um assovio fino e cortante aos ouvidos junto das pétalas despencando das árvores até o chão trincado do jardim, 

A memória reacende velhos castiçais tristes, enferrujados, e vasculha cantos íngremes da alma em busca de reles lampejos dos tempos em que as ruas não eram vazias e proibidas e a alma media com os pulsos do coração as centenas de quilômetros que por algum tempo eram a única coisa a impor uma separação. 

Sete anos de penumbra por sete meses de luminosidade...

E eu regresso de uma jornada infausta, fatigado, só, a caminho de casa com os pés ainda enlameados, carregando um misto de gratidão pelos danos não terem sido mais profundos e de culpa pelas tantas rendições vergonhosas em batalha. 

Nada permanece intacto ou ileso dentro ou ao redor, mas novos anjos se achegam enquanto observo os antigos se calarem para sempre. 

Minha voz também já não será mais ouvida por eles. Liberto-os das minhas velhas súplicas, das minhas velhas cruzes.

Mas não irei me esquecer, não poderia me esquecer, que um dia falei das flores... E do puro azul sei que minaram algumas lágrimas de boa emoção. 

E eu regresso...

O peito ainda guarda as chaves do velho lar, e lá eu me revejo, e me reencontro, e me perdoo.

E sozinho, me amo. 

3 de jun. de 2021

03/05/2021




 Todo poema, todo verso, eram e são pequenas orações ou delicados relicários sagrados, simples, humildes, onde eu tentava e tento guardar os milagres sutis dos dias;

O cheiro do café do meio da tarde, o canto dos pássaros que não tive mais com quem dividir nos feriados de céu lindo e muito azul, os amores que se foram e os amores que nunca, nunca irão partir. 

Eu guardo, guardo para poder voltar e encontrar algo que brilhe e encante encravado em uma alma tão cheia de partes ainda impuras. 

Tenho aqui comigo todos os caminhos, todos os olhares, todos os sorrisos, todos os dias em que a vida parecia perfeita e eterna quando talvez ela fosse isso de fato. 

E ainda que tudo isso seja uma fortaleza frágil e de pouca beleza, eu posso através desses tesouros olhar para o futuro sem lentes tão amargas nos olhos. 

Assim eu consigo mais uma vez perdoar o último vilão ainda não perdoado, consigo permitir que suas lágrimas deslizem sem culpa, consigo enterrar seus pecados como se fossem sementes no solo da fé sorrindo ao imaginar que algumas flores podem nascer antes da primavera chegar. 

E eu me curo do meu próprio veneno mais vez;

E eu vejo a bela face de Deus mais uma vez;

E eu renasço... Mais uma vez. 


2 de jun. de 2021

02/06/2021



Eu pesco no auge da tarde ocre fragmentos de sonhos que são feito memórias relapidadas em formatos mais encantadores por ferramentas mais precisas. 

Então não são apenas os erros e tropeços a despertarem comigo na manhã que se foi, nem os pecados carentes de absolutamente qualquer beleza, mas é também o aconchego de uma voz amiga, de um jardim simples das casinhas do interior, de um eu te amo com a face rente ao peito em um momento de despedida. 

Quem sou eu para ainda tentar extrair alguma poesia dessas horas estéreis, como se a armadura frágil das palavras pudesse de algo nos proteger? 

Mas os ouvidos não se fecharam para toda esperança e eu ouço vestígios do seu canto pairando na atmosfera, iluminando partes da gigante nuvem de medo que insiste em não deixar de flutuar sobre as almas frágeis.

E há depois dessa mesma janela a pequena cidade empoeirada e rude daqueles dias em que eu me sentava diante da claridade e tecia versos bobos a sentimentos tão nobres antes de mergulhar no poço profundo e perigoso da solidão. 

Então me pergunto o que de puro ainda em mim resta agora que submergi das águas escuras e sujas. 

O que permanece intocado, valioso? 

Apenas o sonho, talvez.

26 de mai. de 2021

26/05/2021

 



Eu me lembro de quando o último amor se despediu Digno, honrado. Era uma manhã de domingo em que se fazia silêncio e calmaria como se faz hoje. 

E por anos tudo o que eu tinha era essa despedida, na verdade, essa ilusão da perda do que nunca se teve.

Então eu procurei perder novas coisas para sofrer por elas, e as perdi, o sofri por elas também,  enquanto eu fingia que era o bastante substituir velhas tristes canções por novas canções ainda mais tristes, velhas orações por novas súplicas, velhas roseiras por novos canteiros que custam a florescer. 

Aos poucos eu fui vendo a vergonha ser substituída por um amigo ainda mais desagradável. O medo bateu ao portão um mês após o último pecado, debochando e abrindo caminho para o que viria no ano seguinte. 

Mas mesmo assim eu fui insistindo e desistindo uma centena de vezes. Sentindo um quase prazer em vagar sozinho depois que as luzes se deitam. 

Meus olhos se acostumaram ao vazio e minhas palavras se conformaram bem com a própria falta de sentido. 

Então eu tento deixar fluir... As palavras, os dias, o peso dos tempos com suas novas cruzes. 

E quando choro, se choro, por todas as máculas e fraquezas, é para adubar o solo do perdão e da esperança. 

Sim, esperança... Esquecida e necessária em anos frágeis. 

Então os anjos me dizem: viveremos para falar desses tempos e ainda me respondem: eu te amo mais!

E respiro em alívio...

A vida é sim forte, e permanece linda.

25 de mai. de 2021

25/05/2021


Por alguns passos pelos caminhos do presente mas mergulhando em outroras, quando o sonho do amor ainda tinha o aroma inofensivo de sonho apenas, quando havia inocência demais para restar algum vão para o medo, quando a escuridão da noite era macia e repleta de um sagrado e raro encanto, ouve-se do sempre aberto coração cantigas doces de paz e redenção. 
E talvez ninguém creria no tanto de luz e calor que repousa abaixo das cinzas das expectativas incineradas, ninguém creria no tanto de vida que adormece feito semente abaixo da pele áspera do solo da lucidez, mas tudo ali ainda está. E pulsa. 
E todos os anjos e fantasmas, e todos os anjos que se tornaram fantasmas, e todos os fantasmas que já não oferecem tanto perigo, tentam ainda me trazer a salvação ou me atar aos dias impuros, enquanto eu só diminuo os passos e observo as estrelas que ainda não adormeceram para sempre. 
Pois insisto na ousadia de sentir o perfume da esperança que desce das árvores frias, imensas, banhadas em claridade e em trevas, como eu. 
E é isso então uma rápida trégua, o banhar-se num pequeno oásis como sempre desprovido de muito sentido, mas que está sempre transbordando significados.

24 de mai. de 2021

25/05/2021

 


Resta uma quase vaga lembrança da poesia que se escondia em imagens sem muito sentido, em palavras sem muito sentido, em amores sem muito sentido, 

Embora nem mesmo quando as ruas são escurecidas pelo vazio e pelo silêncio seja possível fingir olhando rosas comuns pelas calçadas que nestes dias cintila algo dos velhos dias. 

Não há saudade forte o bastante para construir uma ponte, uma via, uma trilha a qualquer lugar onde habitava algo belo e leve, embora tão frágil. 

Todos aqueles momentos em que havia felicidade e as luzes brilhavam tão fortes agora se parecem com teatralidades sem alma que evanescem após o veloz fechar das cortinas... 

E apenas eu ainda cavo a terra estéril de mãos nuas semeando uma primavera que não chega, não chega.

Quem sabe ainda seja muito esse pouco que resta, me diz um coração gentil. Uma insistência sutil, uma tentativa delicada de criar algum encanto com ingredientes escassos e de pouca raridade; gerar ao menos pequenos fragmentos de instante em postura de resistência e beleza, enquanto as cortinas não se fecham para sempre.

19 de mai. de 2021

19/05/2021



 Uma pequena claridade em um horizonte ainda distante, o outono esvaziando as ruas e envolvendo o corpo com sua brisa não tão gélida, a miragem de um sorriso ainda escondido por camadas grossas de realidade e distância... os poucos preciosos corações que ainda se deixam tocar por palavras mal esculpidas, repetidas, gastas; um pouco de beleza escondida por entre escuridões verdadeiras e luzes artificiais, e a canção sobre tolerância, e os pés firmes, e as pernas sóbrias, seguindo o mesmo caminho em círculos, o olhar enriquecido com uma leve lente de poesia. Tudo isso, toda essa forma torta e bonita de ter fé, de ver nas estrelas mais que grandes incandescências, é uma espécie de mergulho em um oceano que não foi contaminado com saudade ou ilusão. E o aroma da noite de alguma forma diz que se aproximam dias em que além de resistir, será possível talvez até sonhar, mesmo sendo difícil antever o milagre enquanto não cessam os desmoronamentos. 

Sim, fantasmas ainda rondam, eu sinto. Mas não preciso que murmurem maliciosamente os meus pecados de novo e de novo. Conheço cada passo em falso, cada mácula, cada heresia... são desses e de outros velhos lamaçais que hoje colho os lírios para adornar o altar da pureza e da esperança. 

17 de mai. de 2021

17/05/2021

 


O cheiro forte do café e o vento que faz dançar as árvores trazem algum encanto daqueles idos dias leves. 

Eu me lembro de quando os galhos retorcidos e floridos do ipê rendiam poemas ao amor distante, enquanto as crianças corriam descontroladas, repletas de vida e felicidade pelo pátio agora vazio e silencioso. 

E realmente não é muito... o perfume, a luz que atravessa as folhas que dançam, o vento, os resquícios de memórias adocicadas e os pequenos lampejos de fé; não é muito para que se alimente a esperança e a faça forte como um dia fora. Mas hoje, diferente do ontem e do ontem a ele, é perceptível que no âmago mais profundo algo de Belo tem sobrevivido, ainda que raramente seja capaz de vir à tona.

Talvez persistir já seja uma vitória diante da fragilidade da vida, diante de todo desamparo. 

Talvez isso seja mais um lamento, uma fuga, ou talvez seja uma oração de sincera gratidão. 

Se dias melhores estão por vir, ninguém sabe, mas hoje há tudo isso que é tão pouco, e ao mesmo tempo é tanto, soprando junto ao vento e secando as lágrimas que não podem ser impedidas de cair. 

7 de mai. de 2021

07/05/2021

 


Na mesma semana em que as luzes começaram a derreter de suas fontes e uma bruma de falsa beleza tenta levar a cor das flores que ainda insistem e brilhar, o sorriso, já há tantos meses oculto, perde mais uma razão de se fazer. 

Mesmo os mais ingênuos poetas continuam tendo receio de falar em esperança... Como culpá-los? 

Talvez até os profetas e os santos tenham perdido a trilha que os levaria para a salvação em algum momento, assustados com o que viram do passado e com o que previram do futuro. 

Mas há sim essa canção dizendo que você vai ficar bem, porque é isso que você faz. Você conserta as coisas quando não consegue impedir que elas se quebrem. 

E tudo bem sobre seu receio ao olhar essa grande nuvem escurecida, tudo bem questionar a firmeza dos pilares que sustentam o universo; mas sem esquecer que o amor nunca deixou de construir um abrigo quando as nuvens se transformam em tempestades, e o abrigo, por mais simples que fosse, nunca ruiu.

1 de mai. de 2021

01/05/2021

 


Não deixa de ser como se toda noite os mesmos cansativos fantasmas trouxessem para debaixo do cobertor meus não tão velhos pecados que ocupam mais espaço do que talvez mereçam ocupar. 

E não há mais a luz de qualquer você escorrendo pelas rachaduras que se abrem nos dias, apenas há uma brisa fria fluindo pelas frestas que já não se fecham mais. 

E não posso culpar mais nenhum adeus, não posso sentir falta dos lugares e sentimentos que não me pertencem mais, ou das falsas promessas que não me serão feitas outra vez. 

Não pude ser algo tão bom quando alguém já pensou que eu poderia ser. Haviam tantos incêndios, tantas mãos, e o medo, o medo que no máximo só fingia às vezes partir. 

Mesmo estando dolorosamente sóbrio, nada está claro... Pode ser que seja mais um lamento, mais um pedido delicado de socorro como sempre inaudível, o lapidar do que sobrou de emoções bem pouco preciosas. 

Em quais tempos falar da esperança senão nos piores? 

E quais versos adocicar para dar algum sabor ao que já perdeu o significado? 

Quais palavras usar para não deixar partir a memória dos meses mornos em que olhávamos o sol dourando o caminho como se ele fosse seguro e infinito?

Não haverá um "mas" desta vez. Ou uma vírgula. Ou um talvez. Ou uma reticências. Ou um sentido. 

É apenas um esforço para que a rendição ao silêncio que se aproxima não aconteça tão cedo. 

Mas talvez, talvez... Consigamos nos perdoar pelos pecados que não soubemos como não cometer. 

Talvez em breve estejamos a salvo e nos banharemos em mais do que restos de claridade.

18 de abr. de 2021

18/04/21

 


A canção que fala sobre universos paralelos onde nada se quebra e nada machuca me faz quase regressar por instantes aos dias em que a atmosfera era muito mais repleta de poesia do que de medo. 

Essa poesia que tem se perdido como a claridade do dia se rende suavemente à penumbra que logo se tornará mais uma longa noite escura...

Ao meu lado flutuam pequenos estilhaços de memória já quase sem valor. Passam rente a pele causando pequenos cortes que não chegam mais a sangrar... Os sorrisos, a cor dos olhos, o abraço que elevava os pés do chão.

Mas enquanto adorno o céu apático de cores artificiais, ainda sonho com tempos em que as ruas e as esperanças não estarão mais proibidas. 

E eu sei que já se foram anos demais, palavras demais, sonhos demais, lamentos demais, só que continua parecendo cedo para uma rendição completa ao silêncio e ao adeus. 

Pois embora o coração já não emita um brilho que encante e a noite já tenha a tudo envolvido outra vez, o peito ainda reluz, e posso ver o infinito manto negro celeste adornado de incontáveis estrelas quase eternas. 

30 de mar. de 2021

Ruas de domingo



Todas as ruas agora se parecem com ruas de domingo; mas sem as crianças correndo nos parques, sem os idosos de aspecto doce e contemplativo pelas calçadas, sem os fiéis reunidos em seus templos com suas orações e exaltações.

Alguns dizem que são tempos sombrios, enquanto outros dizem que são os momentos severos que abrem frestas nos espíritos endurecidos, e que é só assim que a luz entra. Eu não sei quem está com a razão. 

Eu já nem ao menos sei se a razão ainda nos acompanha.

Sei que o mundo não é mais o mesmo... 

Sei que somos extremamente humanos, com tudo de belo e tudo de miserável que tal fato nos concede.

Sei que nossas vidas não são números.

E a cidade naufragada em silêncio, em tanto silêncio, em distância e isolamento, me faz sentir saudade do som daqueles velhos versos que eram como vidros quebrados em uma caixa; versos tolos, ingênuos, em resposta a amores frágeis e sonhos tão delicados que o sopro do tempo levou para sempre.

É então que a poesia se achega, repousa no meu colo... 

Tão querida e fiel amiga.

E mesmo com tanto a ser dito, o que faço é não conter o pranto. Também tenho medo, também tenho frio, também estou sozinho.

Mas o pranto é, sobretudo, em oração pela Esperança que ainda não debandou dessas terras, nem desse peito. 

A Esperança, o pequeno dom que restara no fundo dessa Caixa de Pandora que se tornou a realidade.

Agora que temos os lábios escondidos, aprendemos então a sorrir com os olhos; agora que não podemos contemplar a beleza de novos campos, aprendemos a semear nossos próprios jardins.

E eu enfim entendo a cidade como entendo meu coração. Essas ruas e caminhos abandonados por onde já não se deve mais caminhar...

Pequenos e grandes vazios, lá fora, aqui dentro.

O que virá depois se houver depois?

Abrir, talvez, essas comportas.

Dar vazão.

Deixar livre toda essa beleza contida.

Renascer.

A claridade cinematográfica da tarde ronda os pensamentos junto de uma brisa de perfume delicado.

Uma canção ajuda a criar lembranças de coisas que nunca aconteceram.

É o coração... mais uma vez se recusando a parar de bater. 

.

De "Dez anos de poesia".

15 de mar. de 2021

10/03/2021


Março nasceu entre céus escuros e isolamentos ainda mais duros. 

E até nos dias de sol abundante e de insistente canto de pássaros, parece não haver claridade, não haver melodia. 

Mesmo os insensatos sentem algo errado dessa vez. As ruas não sorriem, os olhos não brilham, e há pouco me foi dito que perdemos também o direito ao medo. 

Então o olhar busca no fundo do horizonte um fragmento azul que prenuncie tempos mais brandos.

Em versos encontrados ao acaso, a poetisa me diz que a primavera chegará, mesmo que ninguém possua jardim para recebê-la...

Mas procuro insistir na semeadura para que ela saiba que eu ainda a espero, ainda me importo. 

As flores já não serão as mesmas, delicadas e efêmeras, sucumbirão às águas e ao sol; os versos também já não são os mesmos. Não há tanta saudade ou tanta esperança para que tragam do que adormece no fundo da alma alguma emoção. 

Mas procuro insistir na semeadura...

Para que se um dia os sorrisos forem livres e as mãos acessíveis de novo, eu tenha uma colheita a oferecer. 

Pois como as tais sementes, ainda que inerte, o coração permanece cheio de vida.

7 de mar. de 2021

08/03/2021




 Todas aquelas e estas incontáveis, infindáveis linhas agrupadas tentando transmitir uma qualquer coisa bonita a outros corações igualmente perdidos, esquecidos, 

Talvez fossem e sejam, justamente por sua singeleza e simplicidade, um sopro morno de poesia sobre faces e mãos cansadas de um inverno incessante. 

Ou no fundo tudo tenha sido sempre apenas uma tentativa discretamente desesperada de perfumar memórias, fossem deslumbrantes ou insossas, e guardá-las por um pouco mais nos tantos vãos deixados após a despedida delicada ou violenta dos mais distintos sentimentos.

É para olhar para dentro e ver alguma beleza e significado nessa ópera infausta e egoísta que designa os passos que a vida deve dançar;

Foi para dizer de uma mil e uma formas que amei. Antes, durante e depois de todos os adeuses, quando ainda se podia caminhar sem medo pelas ruas de sol poente, derramando ou não lágrimas justas, eu amei;

É para falar das luzes e também da fé que sempre se despede chorosa...

É certo que as abundantes águas de março não têm lavado as almas do medo, mas os campos verdejam e eu sigo floreando os muros sem vida, dentro e fora; por um instante preso nessa fenda que separa a saudade da esperança.

28 de fev. de 2021

29/02/2021

 

Quando a chuva silencia todas as ruas e faz o tempo adormecer exausto da própria crueldade, a memória vaga por florestas umedecidas de saudade até chegar aos velhos dias onde não havia medo o bastante para sufocar o florescer de jovens ilusões. 

Eu tinha 17 e uma infinidade de erros a serem cometidos pela frente... E tudo era perdoável porque éramos jovens e tolos o bastante para não pensar ainda em consequências. 

Sei que nada nunca foi tão reluzente quanto a nostalgia pinta, mas eu ainda me lembro dos tempos antes das constantes ameaças de fim dos tempos, e era possível procurar pelos olhares algum brilho e paixão. 

Nem tudo precisava doer tanto e o tempo todo, nem tudo precisava ser uma espécie de ameaça ininterrupta.

Então os anos voaram e eu caminhava sozinho através da tempestade. Eu tinha o olhar fixo no horizonte onde podia ver um fio azul de esperança, mesmo que nada lá houvesse de fato. Até que você me ofereceu abrigo. Calçou meus pés, cobriu meus ombros. E eu via a tempestade caindo diante dos meus olhos sem me molhar, sem ter frio, porque sentia outros dedos entre os meus dedos. 

Mas eu via as rachaduras pelas paredes; eu sempre vejo; eu ouvia o vento levando os telhados céu afora e pedi que as portas se abrissem antes de tudo desabar. 

Então eu saí.

Então eu desabei.

E todas as flores que plantei depois de todas as despedidas não resistiram bem, logo se despediram também.

E todos os pedidos de socorro não foram atendidos por serem apenas sussurros perdidos no imenso barulho mais angustiante das horas.

E eu retrocedi...

Apenas ouço gotejar insistente lá fora que soa como um lamento;

Por dentro, as canções, os poemas, os pequenos inúmeros ferimentos me lembram que eu retrocedi...

Talvez seja isso crescer.

25 de fev. de 2021

25/02/2021

 



Esse tempo que passa agora de uma forma tão estranha não se faz mais necessário para tornar algo sagrado.

Sim, as coisas sempre precisaram se perder em um passado remoto para que seu brilho fosse mais raro e valioso, mas agora as velhas regras parecem não mais valer.
Isso é bom porque os instantes banais e solitários ganharam algum adorno de emoção.
Isso é ruim porque as mãos já estão feridas de garimpar dias brutos e repletos de distância em busca de algum sentimento mais nobre.
Mas eu quase me esqueço da auto condenação enquanto imagino que a leveza dos momentos idos pode em breve retornar...
A chuva que cai mansa sobre os telhados dos santos e dos profanos me faz sonhar com o caminhar pelas ruas sem medo; talvez mãos dadas, talvez um Lar.
São tempos em que até o mais ingênuo dos poetas teria receio em falar sobre a esperança, eu repito... E tanto já foi dito e sentido para preencher de alguma vida as horas que se arrastam sem encanto; mas eu ainda vejo no fundo de alguns olhos faíscas de uma vida tão pura e tão bela.
Estamos resistindo, cansados ou feridos, nos alimentado de migalhas de poesia e afeto; amando ou esperando, entorpecidos ou despertos.
Estamos resistindo, superando pecados e absolvições, o amor e a indiferença.
Estamos resistindo, porque estes são os tempos sagrados. Não os que se foram ou os que virão. Mas estes, onde, só neles, podemos ousar sonhar de novo.

23 de fev. de 2021

20/02/2021

 


Resta um ruído de esperança vindo das estrelas ecoando pelo caminho onde a escuridão impera.

E já há algum tempo não é mais possível ver onde se pisa, não é possível saber se o solo é firme e seguro o bastante.

Mas o fio dourado que o crepúsculo esquece sobre o horizonte me faz querer seguir adiante aquecido por alguma fé ainda mais uma vez.
Sei que não há muita beleza fluindo pelos dias que se seguem, e embora tudo pareça normal pelos templos e bares, para os demagogos e para os ébrios, esse lapidar incessante dos dias em busca de alguma faceta que brilhe um pouco mais parece uma luta inglória para fugir do medo, feito a antiga e tola espera pelas 3 palavras mágicas.
Mas resta um ruído de esperança vindo das estrelas logo acima... restam os passos firmes pelo caminho sombrio em direção à claridade que ainda persiste.
E eu não disse, no entanto, em meio ao caos e às quedas, eu me esqueci de todos os sorrisos que se apagaram, enquanto quase consegui deixar de ter vergonha da simplicidade do meu.

16 de fev. de 2021

14/02/21

 



O incomum vento frio num domingo de carnaval com avenidas vazias parece trazer do passado recente o perfume contido de poesias que não puderam florescer dada a aridez da realidade. 

E enquanto eu mais uma vez vago por caminhos em que tanto já deixei meus sorrisos e minha lágrimas, eu penso na possibilidade de não pedir mais para vencer qualquer sentimento que queira se apossar do meu coração. 

Porque este mesmo coração que traz à tona sentimentos que não têm mais raízes, tornando-o ridículo a qualquer olhar mais lúcido, é o que me faz levantar a cabeça para o céu onde o sol começa a dourar as nuvens, precedendo a promessa de uma noite menos escura que as anteriores até aqui. 

E aqui, sobre uma velha ponte observando os carros que passam apressados, eu me lembro de quando pedi que fossem levados de mim o medo e a vergonha, mas talvez sem todas as minhas partes eu não entenderia e sentiria tão puramente as canções que falam sobre o exílio e sobre a cura. 

É possivel que você doa de alguma forma para sempre, junto de todas as outras coisas que também foram perdidas ou libertadas e também doerão para sempre, mas volto a dizer que pelo menos por agora é uma dor que tem quase alguma beleza...

Já deita a noite à frente dos meus passos e as luzes da cidade parecem chamar delicadamente por meu nome, e eu nunca deixo de responder,

Embora às vezes eu não saiba quais últimas palavras dizer,

Embora, definitivamente, eu nunca saiba quais últimas palavras dizer.

13/02/21

 

E eu precisava dizer, pôr à tona. 

Ainda que ninguém ouvisse, ainda que ninguém houvesse, ainda que a ninguém fizesse sentido.

Porque a noite com seus aromas estranhos e relâmpagos no horizonte distante penetra pelos poros, por todos eles, e eu a absorvo como uma memória de eras ancestrais enquanto vago pelas mesmas ruas que me parecem tão outras agora que banhadas em tanta escuridão. 

E logo sinto ser eu a figura fantasmagórica que se esgueira pelas calçadas e trilhas, silencioso e esguio, sem ser notado, como em um sonho onde estou no tempo errado, mas ao contrário da realidade, de alguma forma, não estou profundamente sozinho. 

E essa sinestesia entorpece, mas não fere.  Por um instante nem mesmo a saudade e o sonho que me arranham a pele e me transpassam a carne todos os santos e profanos dias têm tanto poder. 

Em alguns anos os arrependimentos serão o tempero das lembranças e esses tempos loucos talvez façam falta... talvez.

Porque ainda há tanta beleza oculta lá fora;

Porque ainda há tanta vida guardada aqui dentro.

8 de fev. de 2021

08/02/21

 


Embora tudo, não deixou de haver nas manhãs de fevereiro um azul pacífico no céu.

Talvez não faça muito sentido, mas o sol incidindo e fazendo brilhar as folhas das palmeiras que dançam no vento me faz pensar em um recomeço. 

Não que se anunciem dias mais brandos; os rostos cobertos, os gestos temerosos, as distâncias, não nos permitem esquecer por mais do que instantes da aspereza e da fragilidade da vida. E a mente ainda se parece com uma sala empoeirada, abarrotada de móveis velhos e desalinhados... e dói, e cansa, e dá medo o peso dos dias.

Mas se achegam palavras doces de uma alma gentil, algo como um agradecimento pelo que fui capaz de sentir, de dizer, de florir. E com isso os olhos merejam por um segundo; os olhos se tornam as janelas da sala escura e sombria, e se abrem para a luz suave do dia. 

O peito se aquece. 

Em minhas mãos são entregues papéis coloridos, cheios de sonhos rabiscados, cheios de sentimentos coloridos, cheios de vida e juventude, e eu descubro que recomeços podem ser singelos, delicados, silenciosos. 

E abro ainda mais os olhos, as janelas, e deixo a claridade acolher os cantos da suja sala escura. Observo suas relíquias, seus cacos, os tantos objetos espalhados pelo amor, pelo descaso, e amo profundamente tudo o que essa luz do  entardecer toca. 

E ali, quase esquecida em um canto, meio oculta por um tanto considerável de sonhos partidos, reluz um pequeno punhado de esperança, um tanto tímido demais para abrandar todo o desamparo dos dias, mas um tanto suficiente para me fazer receber a jovem noite com um sorriso no rosto.

7 de fev. de 2021

04/02/21


 O olhar que se perde no horizonte na verdade é a janela para o espírito que garimpa e lapida sentimentos passados e remotos, na vã tentativa de lhes dar algum brilho e propósito.

Há algo de saudade nisso, mas quando em completa solidão a memória se arrisca a andar por ruas distantes demais, tudo está envolvido em uma penumbra acinzentada e sem vida.
As portas estão abertas e uma presença forte persiste em todos os cômodos da frágil fortaleza onde repousei por breve trégua. Porém, o que impera pelos cantos é apenas o vazio.
Não há calor, não há luz.
Mas de todo aquele ano o que ainda tira um quase sorriso foi o abraço roubado, os pés centímetros acima do chão, o perfume. Um instante efêmero, mas que tinha a maciez do que poderia ter sido o amor.
Tudo tão real e sólido antes do vento insípido da noite tudo dissolver e carregar.
E já entardece... e não há tanta beleza no céu. Daqui vejo as torres e os prédios banhados em uma claridade melancólica e cansada, e imagino todas as pessoas e seus universos particulares, também lutando para entender e dar algum sentido e beleza aos dias que passam cada vez mais estranhos.
E não há muito a ser dito...
Mesmo que em mim também nada seja completamente extinto ou esquecido, é preciso aprender a dizer adeus.

01/02/21




Não há mais juventude suficiente para que as palavras sejam um socorro. 

Todos os velhos cadernos preenchidos com letras tortas de paixão e sonho repousam no fundo do armário em um silêncio perpétuo; orações nunca ouvidas, esquecidas em um altar abandonado.

Mas quando o medo não é grande o suficiente para as mãos esconderem a face em um ato de delicado desespero, algumas linhas brotam sem pretensão por entre as últimas horas mágicas do dia, e por um momento eu não preciso me culpar por não saber mais pelo que lutar.

E essas palavras são como pequenos pássaros de canto bonito que sobrevoam um pouco do mundo ao redor e me contam das belezas do céu. Assim, o peito se envolve de uma luz humilde e quase morna feito um lar... fragmentos de liberdade penetram no espírito.

Sei que já é outro fevereiro e tudo está ainda mais tremendamente esquisito do que antes, como diria a poetisa.
Sei que não haverá um galho partido no ipê a florir, os salgueiros não dançarão ao vento das tempestades sem seus galhos chorosos, uma estranha saudade insistirá por alguns longos instantes em mandar lembranças e todos parecerão estar muito distantes de mim, cruzando alguma linha de chegada enquanto eu ainda não consegui calçar os sapatos, como sempre. Ainda assim... uma canção bonita insiste em tocar ao fundo, sem cessar, pedindo que eu sorria novamente, quase como quando havia esperança.

30/01/21

 



A noite tem um resquício do perfume do suor de sonhos ancestrais; das horas rápidas, dos corpos quentes.
E fragmentos desses velhos tempos mergulham céu abaixo como suave garoa... memórias que chovem mansamente.
Aqui todas as coisas se encontram fora dos lugares que deveriam estar, e precisamos fingir que está tudo bem, enquanto quase nada está.
Antigos e novos fantasmas disputam a carne da delicada paz que resiste defendendo um coração ainda mais frágil;
Mas eu caminho em direção às pequenas luzes artificiais de cabeça erguida, ainda completamente preenchido de vida, acreditando por um instante que algo do menino de 17 sobrevive abaixo dos escombros de tantos dias cinzentos, cantando e dançando uma canção boba de amor.
E eu me peço perdão novamente e me perdoo novamente, porque é preciso acreditar que virão dias de cantar e dançar novamente mesmo que há muito tenha se passado os 17 e sua esperança.
São tempos estranhos em que até os ditos consoladores trazem uma mensagem de resignação adornada de desespero. Suas vozes me confundem e se perdem pelo vento que uiva por entre as árvores.
E eu não sei mais quem diz a verdade.
E eu não sei mais pelo que espero.
Então fecho os olhos e caminho sem ver a direção... mas continuo a caminhar, incessantemente, enquanto a canção me pede para cessar o pranto.

18/01/21

 



No último ou penúltimo amor foi preciso tirar a voz das palavras,
Pois que o vento já estava de ombros cansados de carregá-las para a distante e opaca atmosfera onde repousavam até evanescerem por completo.
No último ou no penúltimo ano houve mais medo que esperança, mais despedidas que encontros, tudo abrindo no peito uma ferida difícil de esconder.
Mas sempre há um mas...
E uma canção suave leva flores até os cabelos de uma lembrança que não sabe sorrir, mas que também já não faz tantas ameaças;
E meus pés quase flutuam por uma estrada que, mesmo sendo tão solitária, sempre me leva para casa;
E eu guardo as lágrimas para as orações, para os poentes, para as rosas deixadas na areia antes do mar as carregarem para o infinito azul.
Talvez isso que se mostra como poesia seja apenas a seiva da vida... Porque eu ainda me lembro do abraço forte em meio às árvores centenárias, e toda a força e toda a segurança, com o mundo apenas girando sem doer. 
E eu procuro o caminho ao velho sagrado jardim para mais vez curar com flores e frutos o espírito empobrecido de sonhos para assim deixá-lo reluzir, quem sabe, ainda mais uma vez. 


11/01/21

 



Pelas ruas tudo parece permanecer no mesmo lugar, no lugar certo, de alguma forma.
As pessoas parecem determinadas, firmes, com algum objetivo a alcançar na linha do horizonte.
E eu passo lentamente, com olhos turistas, pensando que a vida pode ser por um instante leve como a alma das crianças que brincam despreocupadas nos pequenos morros de terra na beira do pequeno bosque.
E também por um instante, tão breve, eu vejo o meu reflexo livre da dor que parece sempre residir nas rachaduras que vão se abrindo nas muralhas da fé, um pouco a cada dia, cada vez mais.
Ao menos não há pelo que esperar, nenhuma decepção nova e reluzente para aquecer o coração desta vez; ao menos, não há saudade.
Mas, de alguma forma, ainda há uma tentativa de perseguir a luz do sol por entre as sombras dos tempos...
E pelas frestas abertas no espírito pelo medo e pela dor, é por onde essa luz entra. 

30/12/20



A vida é esse paradoxo dançando livre pelo salão dos dias que passam como que indiferentes.
Em uma face, a beleza luminosa da força e da fé, em outra, a sombra tristonha da fragilidade.
E hoje descendo as ruas por entre as árvores e o sol que se punha ao lado da tempestade, eu pensava em mais uma vida que se foi... e trazia do fundo da minha memória o som daquela voz, a imagem daquele sorriso. E as últimas luzes solares douraram uma sutil e sincera lágrima. Uma lágrima que era também pelos outros quase 200 mil olhares que não verão hoje este poente, talvez...
São tempos em que até o mais ingênuo dos poetas teria receio em falar da esperança. Mas que falemos, que roguemos...
Que as palavras encontrem o caminho para se tornarem uma oração, e que o coração se sinta acariciado por um instante, certo de que, de alguma forma, mãos divinas não o deixarão novamente se partir. 
 

11 de dez. de 2020

11/12/10 - 11/12/20

 


Na noite de 11/12/2010 eu realizava um desejo muito especial que foi publicar meu primeiro livro de prosa poética. 

Sempre achei petulância dizer que fiz poesia, quando na verdade eu apenas senti a necessidade de colocar em palavras o que não cabia mais só na alma. Mas ao longo desses dez anos e de treze livros eu vi que o que eu fazia era sim também poesia, porque poesia deixou de ser um estilo literário e se tornou uma forma de sentir, se tornou um sentimento, se tornou um estado de espírito. 

Tenho a consciência de que a minha existência está entre as mais ordinárias das existências humanas, mas a palavra, o verso, o Belo, trouxeram muitas vezes a chuva para o agreste da alma, e a fizeram florescer. 

"Dez anos de poesia" encerra de forma singela, humana e feliz esse processo que se iniciou com "Em meu Jardim Secreto..." e o sentimento que persiste de tudo isso é a gratidão.

 

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."


Clarice Lispector


http://clubedeautores.com.br/livro/dez-anos-de-poesia

28 de set. de 2020

LANÇAMENTO - "DEZ ANOS DE POESIA"

 


Eu disse em um post anterior que eu gostaria de publicar "Dez anos de poesia" em um dia especial para mim. Então eu decidi adiantar o lançamento online do livro, porque hoje é um dia especial, sem dúvida. Porque durante semanas difíceis, e especialmente no dia de hoje, eu percebi como tenho pessoais incríveis, inigualáveis, ao meu redor, e como, mais uma vez, o amor delas me salvou. 

A poesia, em seu sentido mais amplo e mais nobre, é isso. Muito mais do que as palavras ou os versos, a poesia é o que há de Belo no sentimento humano. E hoje eu encerro esse dia com o espírito repleto de gratidão por ser digno de receber sentimentos tão nobres.

"Dez anos de poesia" nasceu... está entre nós. Um trabalho simples, amador, mas repleto do que de mais precioso eu consegui enxergar nessa vida.

Que a poesia resista e traga um pouco de luz a tempos tão obscuros e difíceis;

Que o Amor, o Verdadeiro Amor, também resista, e continue a nos salvar.


Para adquirir, acesse: clubedeautores.com.br/livro/dez-anos-de-poesia

24 de set. de 2020

"Dez anos de poesia"

 


Foram 137 horas diante do computador editando, escrevendo, reescrevendo, sentindo, vivendo e relembrando. Foram cerca de 3 meses desde que decidi, em comemoração aos 10 anos do meu primeiro lançamento, elaborar uma coletânea de escritos, depurando tudo o que escrevi até hoje e resultando em "Dez anos de poesia". 
Hoje este trabalho está finalizado.
Eu não sou escritor, eu não sou poeta, e não digo isso por falsa humildade. Sou apenas alguém que sente, que absorve, talvez até demais, muitas coisas. A palavra, ou o que eu tenho a presunção de chamar de poesia, é o meu socorro, a minha salvação para lidar com o mundo que existe dentro e ao redor de mim. 
Talvez seja arrogância minha achar que a alguém possa interessar visões e percepções que podem ser tão íntimas, mas eu acredito que de alguma forma nossos sentimentos estão todos conectados, e a palavra, a prosa, o verso, muitas vezes podem acessar essa conexão e criar algo bonito. 
É esse meu objetivo com "Dez anos de poesia": criar algo bonito. Mesmo que algo muito simples, muito amador. Mas algo bonito. Porque como disse Adélia Prado: "O Belo não é um luxo, é uma necessidade humana".
Eu trabalhei nesse livro com absolutamente o máximo da minha alma, com uma vontade e um amor que talvez eu nunca tenha acessado antes. Enquanto o mundo vive uma pandemia, enquanto o amor chegava e partia, eu mergulhei o mais profundamente possível nas palavras para tentar buscar o que de melhor eu tenha a oferecer.
Nesse processo eu tive o estímulo de pessoas incríveis. Cada vez que sentido de tudo parecia se perder, alguém dizia algo ou emitia algum sinal me motivando a continuar. 
E por ter continuado eu anuncio que em 12 de outubro o livro estará disponível no site do Clube de Autores. Como é um trabalho tão importante para mim, quero que seja lançado em um dia sagrado também.
Desde já deixo meu imenso agradecimento aos meus amigos que puderem adquirir o livro, e aos que não puderem, meu imenso agradecimento também por todo apoio!