29 de ago. de 2016

LANÇAMENTO: Penumbra



"Penumbra" é o livro onde mais consegui libertar meu coração. 
Sem claridades que cegam, sem escuridões que tudo escondem.
É um sutil ponto de equilíbrio e sobriedade, onde cada sentimento, mesmo e principalmente os mais simples, são tratados com importância e delicadeza.
Estando distante do amor e do ódio, o que se encontrou foi a convergência de uma infinidade de outras sensações que até então eram reprimidas por essas duas forças. Chamaria de paz, por falta de melhor designação, mas não uma paz resignada, que tudo sofre e aceita, mas a paz de enfim enxergar nitidamente.
Em uma visão simbólica e otimista, a alma é criada na escuridão e caminha em direção à luz; o que estas páginas retratam é a fase atravessada entre estes dois pontos.

Disponível em: https://www.clubedeautores.com.br/book/216686--Penumbra





“Penumbra: fotografia” nasceu do processo de criação do meu décimo livro de poemas “Penumbra”. 
A música, o teatro, o cinema, a imagem; toda e qualquer manifestação artística, sempre me atingiu intensamente e serviu de inspiração, não só para minha escrita, mas para minha vida.
Longe de querer soar pretensioso, mas parafraseando Simone de Beauvoir, sempre senti a necessidade de transmitir o sabor da minha vida. Talvez não diretamente e principalmente aos outros, mas a mim mesmo. Um desejo forte de tornar “palpáveis” as sensações e sentimentos que absorvo.
Fiz meu melhor para expressar isso em meus trabalhos. 
“Penumbra” tem uma força especial sobre mim porque, ainda que a essência seja a mesma, talvez eu nunca tenha conseguido ser tão livre e entregue em algo que fiz antes.
Por esta razão o livro de poemas tem também sua versão fotográfica. Imagens que para mim ajudam a retratar as sensações que tive no decorrer do processo de criação. 
Não sou profissional da área fotográfica e não teria a arrogância de me apresentar como um fotógrafo, mas acredito que em tudo pode haver poesia, seja no corriqueiro dia a dia, seja através da criação das mãos e espírito de um artista. E de poesia continuo insistindo em falar, de alguma forma.
O que apresento aqui é a poesia que minhas palavras não puderam alcançar, mas meus olhos, sim. 

Disponível em: https://www.clubedeautores.com.br/book/216692--Penumbra#.V8TvsFQrIdU



20 de ago. de 2016

SP


Foi há dois anos, mas também foi ontem.
O sentimento crepita como uma fogueira eterna, inexaurível.
Luzes, automóveis, chuvas, penumbra. Eu, ali.
Ali onde um dia eu tinha a vida por entre os dedos,
E eu sabia para onde guiá-la;
Ali onde eu tinha você por entre os braços.
E sabia onde pousar o espírito,
Quisera, para sempre.

Naquela maldita cidade sagrada,
Abarrotada de tristezas imensuráveis e alegrias indescritíveis,
Eu era só mais outro apátrida perdido por ruas infinitas,
Por memórias que nunca se extinguem por completo.
A qualquer alguém confiei o segredo:
“Aqui jaz meu maior e único amor.”
E continuei com passos firmes, sem saber para onde ia.
Nenhum consolo seria válido.

Ao partir, deixei duas lágrimas.
Uma amarga e fria, porque todas as luzes partiram
E eu estava me comprazendo na escuridão.
Outra leve e doce, porque eu vislumbro uma centelha pequena,
Raquítica, dentro do um coração que bate aos solavancos.
Um dia toda aquela selva de concreto e vidro poderia ser um lar,
Meu lar. Nosso lar.
Mas hoje é um cemitério imenso de frágeis memórias
De onde eu tento partir de tudo que partiu de mim.

16 de ago. de 2016

"Havoc"



Sempre que eu pouso os olhos cerrados
Numa paz quase invejável;
Sempre que eu digo que estou forte o bastante
Para simplesmente não ter mais fé;

Você é o fantasma no quarto.
Você me arrasta para as memórias
Feitas de açúcar que construímos.
Mas agora está sempre chovendo...

Eu estou todo encharcado de coisas mortas e brilhantes.
Em algum lugar, de alguma forma você está vivo,
Mas também está morto;
Essa maldita ironia dos eternos finais.

Nesta noite, eu amo de novo.
Sou humano de novo e tenho saudade mais uma vez.
Mas junto do sol amanhã, com as ruas secas,
Nascerá a realidade, você será novamente apenas uma mentira.

‪#‎penumbra‬

13 de ago. de 2016

PENUMBRA


"Penumbra" é o livro onde mais consegui libertar meu coração. 
Sem claridades que cegam, sem escuridões que tudo escondem.
É um sutil ponto de equilíbrio e sobriedade, onde cada sentimento, mesmo e principalmente os mais simples, são tratados com importância e delicadeza. 
Estando distante do amor e do ódio, o que se encontrou foi a convergência de uma infinidade de outras sensações que até então eram reprimidas por essas duas forças. Chamaria de paz, por falta de melhor designação, mas não uma paz resignada, que tudo sofre e aceita, mas a paz de enfim enxergar nitidamente.
Em uma visão simbólica e otimista, a alma é criada na escuridão e caminha em direção à luz; o que estas páginas retratam é a fase atravessada entre estes dois pontos.

Em breve.

12 de ago. de 2016

Golpe


Ainda que uma suja nuvem marrom paire sobre a cidade,
Não terei o triste destino de viver de memórias.
Como um cão faminto,
Vagando por ruas sujas e úmidas,
Se alimentando de restos já apodrecidos.

Ainda que céu permaneça por trás tão azul
E eu ouça o canto feliz de pássaros livres,
Eu não sorrirei para a esperança.
Não aceitarei seus braços estendidos, 
Se são como luzes artificiais, frias.

Quero me juntar aos desgraçados, aos pequenos,
E entre lágrimas e suor gritar,
Gritar até que as palavras tenham a força dos martelos e das foices,
Para salvar, para consolar.
Eu quero de volta a vida que nos tiram aos poucos.

Suas faces decrépitas, inumanas, 
Assombram nossos sonhos mais que os demônios da infância.
Temos medo e exaustão.
Mas quem nos vê ainda de pé, nos admiraria.
Ninguém imagina a força de quem já não tem o que perder.

11 de ago. de 2016

O tempo passa lento


Que tenho a dizer que não saiba, que não sinta?
Se te serve, o céu é azul hoje, como foi ontem.
O clima é ameno e a luz de agosto torna bonita a cidade.
As crianças correm acreditando na liberdade, como deve ser.
As árvores parecem dormir embaladas pela brisa.
Não muito longe, os ratos tomam o poder,
Enquanto os desesperados tomam as ruas.
São tempos sombrios, mas de esperança,
O que me parece estranho.
Os poetas marcam o tempo com as batidas do coração,
E o tempo passa bem lento...
Talvez a poesia seja também isso:
A repetição do banal até se tornar sagrado.
Todos parecem cansados,
E todos estão.
Mas seguem lutando, 
Mesmo com passados e futuros tão densos no caminho.
Às vezes me parece que nem tudo é uma mentira
E eu sorrio tentando fazer uma oração sem palavras.
Ora sim, ora não, sinto fé...
Hoje ela tem cheiro de jasmins.

7 de ago. de 2016

Engrenagem


Desperte. Suspire. Caminhe. Bom dia. Café. Tudo bem?
E o fim de semana? Sabe como é, descansei.
As coisas andam paradas. E o coração.
Anda parando também.
Horário. Chefe olhando o relógio. Fim do café.
Meu Deus, deve ser bonito algum lugar longe daqui.
Ele não respondeu. Deve estar ocupado.
Família. Obrigação. Protocolo. Rotina.
Devia ter dormido mais cedo. O dia não parece longo demais?
Luz artificial. Prateleiras cheias. Mentes vazias.
Comer. Rezar. Amar. Parece mentira. Vai que não é.
Acredita em carma?
Metade do mundo vai pro inferno pros hindus.
Pros católicos. Pros protestantes.
Haja inferno. O paraíso deve ser um tédio.
Não sente vontade de fugir antes que seja tarde?
De sair gritando socorro nas ruas?
Nem dá. Polícia. Opressão.
Puta burocracia pra alimentar os porcos gordos.
A gente se vira como pode.
Viu o preço do feijão? Quem ainda escreve poesias de amor?
Quem ainda as recebe?
Ingratidão. As pessoas dão é medo.
Está todo mundo perdido mesmo.
Nunca pensei que o fim dos tempos seria tão longo.
Mas ainda sorriem. Alguém deve ter esperança.
Eu te amo.
Estamos atrasados.

#penumbra

Minh'alma


Eis esta alma, Senhor.
Minh’alma.
Que mãos bondosas teriam a misericórdia
De a elas se estenderem?

Que olhos teriam clemência
Ao sondar cada um dos tantos pecados,
Das tantas máculas, dos tantos medos?

Quem seria indulgente em advogar por um ser pífio?
Por um destino adornado de falsas glórias,
De mentirosos amores,
De medos colossais?

Mas mesmo encarando meus demônios nos olhos,
Ouvindo calado suas justas acusações,
Eu volto meu coração à luz celestial.
No âmago, ainda adormece imaculável divindade.

#penumbra

6 de ago. de 2016

A besta interior


Toda angelitude é pérfida.
Uma galáxia toda de luzes
Consumidas por uma massa escura,
Uma cratera negra incompreensível.

Não há uma luta entre anjos e demônios,
Pois não resta algum anjo.
O espírito primitivo e insano
É uma besta selvagem.

Mas não é livre.
A imundície esbarra na epiderme,
Não passa.
Devora-me por dentro como um verme odioso.

Oh deuses, oh puros!
Vejo o asco em vossos olhos ao me fitarem.
Como ainda ofertar misericórdia

A este que é tão mais carne que espírito?

5 de ago. de 2016

À tona


Nas profundezas jazem passados mórbidos.
Escombros oníricos, desilusões aos restos, lixos sentimentais.
Nas profundezas faz escuro e frio,
O silêncio tudo envolve com sufocante abraço.

Tanta pressão esmaga velhas e doces esperanças,
Em nada remetem seus tempos de glória.
Porém, da superfície feixes luminosos ainda descem
Entoando suaves canções.

Eu quero emergir.
Quero degustar os lábios que chamam meu nome,
Lábios que exalam calor.
Quero flutuar à tona por ondas calmas.

Distante, num horizonte de ouro e rosas, um anjo sorri.
Se Deus existe, ele deve mesmo ser bom...
Por essas vezes que a vida de momento em momento
Muda das trevas para luzes magnânimas.

Se tanto clamo é pela impureza do espírito,
Ainda ébrio e faminto.
Mas sagrado,
Pois em seu âmago nada existe além do amor.

4 de ago. de 2016

Sê como agosto


Banha-me de tuas tempestades e alvoreceres
Acolha meu corpo exitante, minha alma exausta, minha mente em ebulição.
Envolva-me com silêncios e bondades.

Acompanha comigo a derrota do inverno.
Veja como os lábios do sol prometem uma primavera calma e clemente.
Olha-me sem medo, toma-me sem pudor.

Pois minhas ânsias são por tua alma, não por teu corpo.
Sê como agosto, onírica criatura, bailante quimera.
Adornada de florescentes sonhos e reluzentes memórias.

Há pouco, era o fim.
Mas não houve outros prantos, nenhuma saudade.
Apenas minhas lágrimas levaram as mortas flores dos ipês.

Minha alma, feito fragmentos,
Agora veleja suave por ares e mares.
Perdida em seus devaneios inocentes... distante.

Não há pouso, talvez. Remição.
Mas ainda é quente e vibrante,
Ansiosa pelo sorriso que se fez belo e morno como um lar.

Meus livros à venda

Meus livros "Microcosmo", "Discreta Loucura" e "Tempos Invernos" já estão à venda também na Livraria Cultura em formato ebook, pelo link: http://www.livrariacultura.com.br/busca?N=0&Ntt=marcos-+serafim+teixeira

E no Clube de Autores: https://www.clubedeautores.com.br/books/search?utf8=%E2%9C%93&where=books&what=marcos+serafim+teixeira&sort&topic_id

Incentive a poesia a resistir! :)




26 de jul. de 2016

Talvez amanhã



Talvez amanhã não nasça o sol,
Tudo fique amarelo e murcho,
Como se o mundo estivesse preso em um agosto eterno,
De parca vida e beleza.

Talvez amanhã meus olhos se esqueçam de ter brilho,
Minhas mãos desistam de acariciar a terra,
Minha alma não absorva mais qualquer poesia,
E se depare enfim com a realidade insípida que a assombra.

Talvez amanhã eu descubra que o amor
Não é nada além de uma mentira mal contada,
Um entorpecente escasso
Para consolar mentes em ebulição.

Talvez amanhã a vida perca definitivamente sua cor,
Seu calor, seu sentido.
Talvez amanhã.

Mas não hoje.

24 de jul. de 2016

Não posso sentir meu Amor



Desde sempre habitou no âmago criatura celestial.
Eu sentia seu calor dentro de mim,
Via sua luz saindo por meus poros,
Ouvia as canções que cantava.

Não havia nada que eu não faria para dividir meu Amor.
Eu caminhava por um mundo tão doce e puro.
Sem passados, pecados ou medos.
Sem distâncias.

Mas pousa em meus ombros uma escura noite fria.
Fantasmas gemem atrás das paredes.
Os sonhos não se sustentam muito tempo firmes.
As doces lágrimas de emoção não conseguem escorrer.

Eles me venceram.
A esperança, brava, foi a última a cair... mas caiu.
E eu já não volto meus olhos para as estrelas,
Agora que não posso mais sentir meu Amor.

13 de jul. de 2016

É quase agosto



Começou a morte do poeta quando cortou seus impulsos.
Há alguma fé na promessa do começo após os fins.
Há alguma fé... mesmo que esmurrada por dúvidas.

As ruas têm muita luz, poeira e perfume de laranjeiras,
E tanto eu sinto, tanto.
O coração, desnorteado, enjoa-me com sinestesias.

Cada caminho canta uma história antiga,
Lendas esculpidas por vozes de fantasmas insones.
Não ouso levantar a voz, dizer palavra.

Apenas observo com olhos ardendo, olhos cansados,
O destino traçando seus atalhos com descaso,
Abrindo meu peito sem misericórdia.

 É quase agosto...
E quero chorar a morte de sentimentos sagrados outra vez,
Mas a vida me recobra furiosa... ela ainda permanece aqui.

11 de jul. de 2016

Já não corre


Corre, o garoto perdido, busca braços macios;
Mas as canções silenciaram,
As doçuras são fingidas,
As belezas, sem encanto.

Corre, o garoto perdido, do destino;
Frio, duro, escuro,
Feito de escombros de sonhos de outrora,
Sem qualquer vestígio de vida.

Corre, o menino perdido, de si mesmo;
Das memórias insepultas,
Dos desejos insaciáveis,
Dos encontros inconcebíveis.

Já não corre, o menino perdido;
Para todo lugar, é o nada.
Nenhuma voz, nenhuma chama,
Nenhuma esperança.


#Penumbra

5 de jul. de 2016

Anjo caído


Sim, belo demônio,
Encantadora criatura dantes celestial.
Sim, eu disse sim.

Te aceitei em meu corpo e alma.
Flutuei contigo por auroras místicas,
Lindíssimas ilusões.

Sim, minha última chance,
A ignóbil memória não morre,
Mas a cada dia cheira mais mal.

Sou como tu,
Outro asqueroso anjo caído,
Rendido ao sabor agridoce das sombras.

Mas nada mais resta da tua santidade na minha carne,
Nada mais resta da minha própria santidade.
Somos agora homens marcados, sem reflexo.


Poema noturno


Qual o destino das palavras,
Lágrimas vertidas por mãos cansadas,
Soltas, ásperas, pálidas?

Silêncio...
Silêncio absoluto no peito
Acostumado a sinfonias,
A voz dos anjos.

Que difere o mundo chamado real
Do chamado onírico?
Ambos desabam ao mais delicado toque.

Meus olhos insones não brilham,
A beleza, antes seu afago,
Já não reluz...

É noite. Sempre noite.
Mas sem a magia, a doçura,
Apenas a escuridão.

Realidade


O que pode haver de glorioso
Em uma alma frágil que rasteja
Longe de qualquer resquício de luz?

Meu coração,
Aquele que abrigava calor nos invernos,
Frescor nos verões...

Meu coração,
Agora repousa, inerte, sóbrio,
Distante das quimeras que o alimentavam.

A noite é sempre noite,
O dia, sempre dia,
As palavras, meras palavras.

Já não resta imaginação para sustentar o encanto,
E talvez, nunca mais,
Outra carta de amor seja escrita.

Não há mais um jardim
Para poetas, amantes, sonhadores,
Apenas os braços fortes da realidade, sufocando-os.

4 de jul. de 2016

Lançamento online de "Microcosmo"

Meu nono livro, "Microcosmo" já está disponível no Clube de Autores pelo link: https://clubedeautores.com.br/book/212467--Microcosmo#.V3qSpFQrIdU, na versão física e digital, com 25 % de desconto até dia 10/07!
Enquanto houver quem necessite da poesia, a poesia resistirá!
Meu muito obrigado àqueles que mais uma vez me entusiasmaram a insistir em fazer o que tanto amo! <3


Foi um grande prazer compor este “Microcosmo”.
Entre canções favoritas, tardes de sol, madrugadas regadas a pensamentos inebriantes, embaladas pelo frio sutil do inverno, os sentimentos foram se condensando como nuvens e desaguando em forma de palavras, mansamente. Sem expectativas, sem medos, sem grandes sonhos, sem grandes decepções.
O sabor da essência que a alma guarda protegidamente foi o guia. 
Sorri com memórias, chorei com saudades. Fui ingrato e também olhei para o céu pensando em como a vida pode ser tão perfeita em todos seus detalhes.
A eterna contradição: a besta que busca o divino. Afinal, nós, seres brutos, inacabados, somos os que precisam crer no amor, lutar pelo amor. Nós, seres mesquinhos e escuros, é que precisamos buscar a luz.
“Microcosmo” é meu nono trabalho, que como os anteriores, nasceu sem pretensões; é mais outra criança correndo na chuva ou brincando com as flores dos ipês que cobrem os chãos de inverno.
Mas ao contrário do que possa parecer, quero bem mais do que apenas expressar meus sentimentos e sensações. 
Acho que a poesia tem um poder único. É uma força bela e rara de conexão.
Para mim é um prazer sem tamanho passar os olhos pelas palavras dos mestres e ver algo de mim, algo do que sinto ali. Fico maravilhado com a capacidade que eles têm de falar para almas e de almas que nunca chegaram perto. 
Então, este não é apenas um convite para conhecer o microcosmo de quem colocou estas palavras no papel, mas é um convite à comunhão dos nossos microcosmos. Dos nossos sentimentos. De quem escreve e de quem lê.
Existe uma série imensa de cores e sentidos a serem explorados, mas de alguma forma todos nós sofremos de um certo grau de “daltonismo” que nos impede de enxergar além daquilo que nossos olhos já estão condicionados. Mas podemos ver mais, ver adiante, dentro e fora de nós. Sair da estrada em que caminhamos sem questionar e olhar para os lados que ninguém nos mostra. Sim, estes poemas falam do medo, do amor, da perda, da esperança, da luz e da claridade, mas sua principal proposta é: o que tiramos disso? Que visão temos daquilo que essas coisas nos deixam? Como lidamos com elas ao longo dos dias?
A vida tem uma infinidade de cores, uma infinidade de sentimentos, e nós podemos ver mais, sentir intensamente cada um deles. Meu desejo é que estas palavras possam fazer algo para ajudar nisso.



25 de jun. de 2016

"MICROCOSMO"


Por que?
Porque sentimos, porque algo nos encanta, nos dói, nos alcança.
Porque é nisso que reside nossa humanidade: no comover-se.
Por isso as canções, os poemas, os sorrisos, as lágrimas, as saudades, os sonhos ao meio dia.
Por isso mais palavras, mais versos, outros amores, outros adeuses.
Porque eu sinto. Porque nós sentimos.
Dançamos nas noites frias quando a esperança parece ter ido embora por completo; choramos de medo de algo Belo demais.
Crianças tolas, indefesas, complexas, escravas dos próprios desejos, todos nós.
Microcosmos inexplorados, colidindo-se num universo magnífico e assustador.
Pequenos mundos inacabados, repletos de santidade, pureza, dúvida e monstruosidade.
Universos inteiros onde bailam elegantemente luzes e trevas.
E eu abro as portas, os poros, o sorriso, o espírito e todas suas cicatrizes mais uma vez.
E eu convido abrir portas, poros, sorrisos, cicatrizes.
Porque sentimos.
Sentimos muito, e não estamos nos desculpando por isso.

Em breve meu novo livro: ‪#‎Microcosmo‬

24 de jun. de 2016

Sorrio de volta


Ninguém haveria de dizer que não era um quase-amor
Aquele sentimento menino que ria e cantava,
Errava as estradas, tropeçava e ignorava
Lógicas e realidades.

Todo milagre é tão frágil,
Como são as pequenas flores as que mais perfumam.
Havia o instante, fugaz e displicente, mas havia...
E todo instante é a eternidade distraída.

E aquela imagem de um longo abraço,
Um peito aconchegando um espírito cansado,
Era um retrato bonito e impecável
Encontrado ao acaso pelos escombros da realidade.

Ah... Essas pequenas falhas na engrenagem insípida e bruta!
Construímos com maestria o inferno em que nós mesmos habitamos;
Mas às vezes, vezes raras como o oxigênio no maior topo,
A vida esboça um sorriso. E eu sorrio de volta.

23 de jun. de 2016

É sempre inverno


Partem por fim os belíssimos velhos fantasmas.
Nada mais brilha onde o calor de suas auras incendiadas reinava.
É agora inverno. É sempre inverno.
Outra vez os ipês... Outra vez o coração gélido.

Recolho cada demônio liberto após a morte do Amor.
Tantos instintos sujos, selvagens,
Correndo livres à beira de abismos.
Não mais... Não mais!

Repousarão carne, desejo e espírito
Em um lençol fino de memórias ressequidas.
Mergulharão em um sono profundo,
De sonhos inocentes, quase felizes.

Por um instante, talvez, nenhuma ânsia, nenhuma dor.
Apenas mais palavras sem força, sem poder.
Escorrendo mornas, como um rio raso,
Em direção ao oceano que nunca atingirão.

20 de jun. de 2016

Sem mais...


Quando os sonhos se revelam frágeis como a bruma,
Desaparecendo nas mãos da claridade inclemente da manhã,
Espera-se ansiosamente pelo retorno da noite,
Onde o silêncio impera, a dor não é mais uma inimiga,
E as sombras, antes evitadas, agora recebem o amor.

Meus olhos alcançam a hipocrisia dos anjos,
Observam seu egoísmo, sua soberania.
Toda essa benevolência forjada, arrogante.
Incapazes de acolher, acalentar, aquecer.
Incapazes de compactuar com a verdade.

Não resta luz que iluda.
Não resta altar para louvar benesses falsas.
Não resta pedestal para ídolos belos, ocos, sem vida.
Deleite-se com a doce carne suja, mais e mais;
O espírito é vivo e forte, intocável por mãos ignóbeis.

19 de jun. de 2016

'Muy cerca de ti'


Por que?
Por que falta algo?
Lembra, ontem, as pessoas dançavam abaixo das estrelas,
Batíamos palmas e sorríamos,
E tudo era tanta luz, tanto calor, tanta verdade.
Por que falta algo?

Hoje, aquela lua nova, lembra.
Linda demais num céu bicolor,
Enquanto falávamos trivialidades,
Porque a amizade é tão longa e pura,
Que já dispensa filosofias.
Basta a presença.

Lembra de todas as lágrimas que colheu?
Lágrimas por falsos sentimentos, transitórios acontecimentos;
Aos quais eu dava a completude de alma,
Enquanto a alma jamais era realmente vista.
Mas você estava ali, me chamando de irmão.
E eu sabia que, se o mundo todo fosse mentira, você seria verdade.

Sim, falta algo.
Porque este espírito Deus criou faminto,
E ele busca por noites, calores e sorrisos.
Busca por um porto, um lar, jamais dantes conhecido.
O Amor ainda brilha no horizonte inatingível...
Mas em meu peito já habita o tesouro. Habita você.

18 de jun. de 2016

Outro Belo adeus

Tenho-te em minhas mãos com tanta doçura.

Meus olhos brilham aos teus encantos,
Como o dos amantes aos primeiros raios do sol,
Após longo e triste inverno.

Uso de toda doçura e toda compreensão.
Há em cada gesto um imenso amor,
Tão grande quanto delicado;
E tudo a ti ofereço.

Mas vejo tuas costas em desdém.
Meu amor, minha luminosidade, meu calor...
Tudo é pouco, tão pouco.
E vejo teus olhos mirando outro horizonte.

Se comigo desbravasse cada campo selvagem desta alma,
Teria em teu peito a reluzir tesouros inatingidos.
Mas deslumbres maiores o envolvem,
E eu não posso provar minha capacidade de operar milagres.

És outro adeus. Outro Belo adeus.
Mais uma relíquia inanimada em um baú de tesouros sem vida.
Mas tanto tenho a agradecer!
Neste mundo primitivo, a dor ainda é a prova da minha humanidade.

15 de jun. de 2016

Inverno


Não, jovem esperança!
Não dê as mãos ao fim da tarde.
Logo será noite fria
E eu não verei outra vez seu sorriso.

Cada vez dói mais profundamente o adeus.
O que fica, são memórias frágeis como cinzas.
E o vento sopra displicente
Esparramando os sonhos ainda em gestação.

Sei que nada mais levará minha alma embora outra vez,
Mas tantos solavancos a partem em tão pequenos pedaços.
As relíquias que ainda guardo no peito pesam.
E os olhos não querem mais regar nenhum adeus.

Tente cainho com meu destino, esperança.
Meus pés não irão se por sobre solos mortos.
Pois embora o inverno inclemente lá fora,
Meu peito arde em chamas intermináveis.

12 de jun. de 2016

O menino corre


Corre o menino eternamente em uma orla infinita.
O vento acaricia sua pele, sua dor.
Já não sabe do que foge, o que busca.
Já não sabe se foge do que busca.

De um lado, há sempre o velho poente escarlate.
De outro, uma noite fria, tempestuosa.
Ele ao meio,
Cheio de medo e profunda admiração.

Perdida, distante,
Estaria a essência dele mesmo?
E essa essência bastará sem quem a desfrute?
E há quem queira desfrutá-la?

Ainda o menino corre,
E salta, e dança.
Onde ele está é lindo
Porque ele está livre.

O horizonte é ameaçado pelos brados da realidade,
Mas um lume fraco vem do sorriso da Esperança.
De uma noite não tão remota vem a lembrança...
Dentro daquele abraço ele reconhecia seu verdadeiro lar.

8 de jun. de 2016

Eu sigo


Todas as futuras histórias cheiram como as velhas.
Novas claridades embelezando antigas ilusões.
E eu ouço a voz dos adeuses antes de qualquer palavra vibrar.

Eu leio os sinais no silêncio e na escuridão.
Prevejo as tempestades escondidas nas calmarias.
Sinto a dor antes do golpe.

Mas agora eu vejo o que é precioso.
O que nunca foi tomado ou partido.
E ainda levanto a cabeça ao chamado da esperança.

O amor é uma lenda antiga que canto aos meus ouvidos.
Uma lenda sem provas de que existiu ou existirá.
Mas ainda, uma canção tão bonita...

Agora sei que o caminho para o paraíso 
Transpassa tempos percorrendo o inferno.
Eu sigo.
A profunda essência nunca se perderá.


1 de jun. de 2016

É tarde


Então era essa a antiga sensação de caminhar em nuvens?
A manhã trouxe da funda memória tempos de outrora.
A mesma bruma antiga, com seu sabor úmido e doce,
Pairava sobre a cidade ainda sonolenta;
E juntos dos sutis feixes de luz
Transformava as ruas em belos caminhos oníricos.

É manhã.

Se fosse livre, mergulharia impudente naquele raso instante.
Beberia de suas luzes e suas sombras,
Sem a sempre presente dor do passado junta dos temores do futuro.
Liberto das palavras!
Palavras incômodas, barulhentas, pesadas, natimortas.
Sem os frios grilhões do tempo e do espaço.

É noite.

Seriam extintos os espasmos horrendos do peito?
Sem mais clamores fervilhantes por ilusões desdenhosas?
Adentro um campo desconhecido,
Desacompanhado da esperança, do amor, da dor.
Os sonhos gritam de longe: desertor!
Não olho para trás e nada resta a dizer.

É tarde.